A AVIDEZ PELO NADA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Por tantas e repetidas vezes já foi noticiado nos mais amplos canais de comunicação, e aqui neste site declarado, que a Operação Lava Jato pode ser considerada a mais abrangente, articulada e conjunta ação da Polícia Federal e da Justiça Federal, reveladora dos mais atrozes crimes sem derramamento de sangue cometidos no Brasil, no genocídio da ética política, no desentranhamento de toda a barbárie social engendrada por um grupo de criminosos, capitaneados pela “escuridão” enquanto ainda não se identifica seu líder máximo. Não se deve esquecer, também, que toda a Operação, até os dias atuais, está construída e conduzida sob os mais democráticos princípios, respeitando as mais específicas e complexas regras de Direito, perseguindo todas as normas jurídicas para o seu fiel e induvidoso desfecho final.

Diga-se de passagem que durante a Operação já foram presos diversos personagens políticos e empresariais, peças-chave na engrenagem-mãe do Petrolão. Dentre eles, ex-tesoureiros, ex-ministros, ex-diretores da Petrobras, empreiteiros, (ex) cidadãos e, por último, Senador da República, em atividade. Em investigação, outros tantos, como (ex) cidadãos, pecuarista, ex-ministros, ex-presidente da Petrobras. Ao marchar das investigações, novos nomes surgirão, talvez muitos até surpreendentes se chegarem à cadeia de comando da organização que implantou o maior esquema criminoso no Estado brasileiro.

Não bastassem todos os fatos e desfechos parciais da Operação, há os que insistem em afirmar que todo esse grandioso monumento jurídico-policial restará em coisa alguma, em nada. A incredulidade é excessivamente ruim se comparada à de São Tomé, que só teve dúvida enquanto não viu. Para os céticos "cegos", muitos com tendência política semelhante aos presos e investigados acima citados, nem a abundância de fatos, provas, investigações, dados, documentos, depoimentos e delações são suficiente para demonstrar que a Operação já é um sucesso jurídico, de crítica. É a atual porta-voz da sociedade honesta, silenciada por tantos e tantos anos de clausura mental.

Entretanto, a determinação e persistência desses indivíduos em não aceitar que a coluna ideológica que os sustenta desmorona, tem sua clara explicação. Para Lobaczewski[1] , os indivíduos “que são governados por uma visão patológica da realidade e por objetivos anormais causados por sua natureza diferente, são capazes de desenvolver suas atividades em tais condições” (LOBACZEWSKI, p. 154). Em outras palavras: os que custam acreditar no êxito da Operação o fazem, ou por desconhecimento total da realidade, ou por que patologicamente se tornaram ávidos pela realidade do nada, de que nada acontece, nada é como os fatos demonstram, nada é verídico, a não ser o que propalam os que esboçaram todo este arcabouço criminoso, e que agora sentem o imenso peso da espada de Têmis.

Toda esta aversão pela realidade é denominada por Lobaczewski como bloqueio reversivo. Este bloqueio consiste em “insistir enfaticamente em algo que é oposto da verdade” (LOBACZEWSKI, p. 130). Esta repugnância “bloqueia a mente da pessoa mediana para perceber a verdade” (LOBACZEWSKI, p. 130). Insere-se nesta verdade negada e rebatida tanto os fatos gênese das investigações, delações e prisões da Lava Jato, bem como a realidade de que a Operação Lava Jato jamais pode ser considerada um nada social, jurídico, político, econômico. 

Presos permanecem encarcerados, sejam empresários, empreiteiros, políticos, ex-políticos, ex-executivos, doleiros. As investigações, citações, intimações, conduções, depoimentos e declarações premiadas prosseguem. A cada nova fase da Operação, surgem novos fatos, novas provas, novos investigados. A Operação não é um nada; é justamente o contrário: o anseio, a esperança e a perspectiva de todo cidadão de bem, em sequer aceitar utilizar a expressão “isso não vai dar em nada”. Dará. Já começou o processo de mudança e invalidação desse argumento de desesperança.

Sugere-se também esvaziar-se, em definitivo, o argumento de que, neste momento, a Polícia atua investigativamente como jamais atuou em outros tempos deste país. Verdade seja dita, a Polícia Federal, mesmo com dificuldades materiais para conduzir inúmeras Operações, hoje realiza mais atuações de investigação pois o volume de crimes federais institucionalizados é infinitamente superior aos cometidos durante boa parte da história do país, tanto em volume de crimes como de dinheiro desviado. 

Comparar a quantidade de crimes, sob jurisdição federal, cometidos nos últimos 20 anos com os cometidos em épocas mais distantes (30, 40 anos) é operação matemática das mais complexas. Se a comparação envolver o montante de dinheiro envolto nestes crimes, exponencia-se a dificuldade. 

Enfatize-se: qualquer cidadão que tenha cometido crimes semelhantes, utilizando-se ou não de cargo público, influência ou penetrabilidade no Estado deve ser investigado. Abrem-se as comportas a qualquer indivíduo residente no país. 

O que se conclui é que a Operação Lava Jato encerra a dinastia da avidez incongruente, inconsequente e impensada pelo nada. Já não é nem relativo. Desfaz-se nas sucessivas fases e desmembramentos.

A sociedade nada mais espera que o tudo, limpo, claro, justo e honesto.

Brasil, 29 de novembro de 2015.


REFERÊNCIAS
[1] LOBACZEWSKI, Andrew. Ponerologia: Psicopatas no Poder. Campinas: Vide Editorial, 2014.