A DISLEXIA POLÍTICA DA DIREITA SUL-AMERICANA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

As seguidas e recentes derrotas da esquerda na América do Sul devem ser comemoradas como o início do esfriamento da revolução bolivariana. Vejam bem: o esfriamento. Por dois motivos: (a) a "direita" vencedora na Argentina não é estritamente de direita; (b) o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), derrotado naquele país, não aceitará facilmente o revés.
 
A "direita" que sagrou-se vencedora nas eleições presidenciais na Argentina, pondo fim a década de governos kirchneristas, talvez deva ser comparada ao PSDB brasileiro, ou seja, é um partido de cunho ideológico semelhante ao partido derrotado, apenas degladiando-se pelo poder. Esta conjectura pode ser apresentada pela recente visita do novo presidente Mauricio Macri ao Brasil, sendo recebido solenemente pela Sra. Dilma Roussef, presidente do Brasil.
 
Para cá com os botões, se Mauricio Macri representasse a direita real, evitar-se-ia uma primeira aproximação com o governo esquerdista brasileiro. A divulgação feita pelo novo presidente argentino de requerer a suspensão da Venezuela do Mercosul é um sinal de disjunção argentino para com os abusos continentais praticados pela esquerdopatia, nas últimas décadas. Entretanto, é estranho para o candidato recém-eleito, de um partido de centro direita, neoliberal ou conservador, a aproximação tão apressada com um governo estritamente esquerdista como o do Brasil, o que mantém a desconfiança no presente e para o futuro, sendo este o único que poderá contrapor o que ora se percebe.
 
O caso da Venezuela é bem mais grave. Primeiro, porque a derrota do PSUV foi meramente parcial: pós-eleição, deteve a minoria na Assembleia Nacional, embora ainda possua 55 assentos (contra 107 da oposição) no Legislativo daquele país. Foi apenas o enfraquecimsento do projeto revolucionário, mas não a sua total interrupção, o que obviamente deve ser celebrado, com restrições. No entanto, o malogro do PSUV nas eleições e a admissão do revés por Nicolás Maduro deve ser entendido como sinal de alerta para a direita sul-americana, que deve tornar-se atenta às próximas jogadas no tabuleiro.
 
A simples sensação de enfraquecimento e retardamento do projeto revolucionário vermelho pode ser observado nas recentes declarações de Evo Morales e Raúl Castro. Os dois, alternando apenas as frases, disseram claramente que a derrota na Venezuela não deve ser encarada como o fim do projeto revolucionário da esquerda, em toda a América Latina, e que Bolívia e Cuba continuarão apoiando, no que for necessário, a consecução do projeto comuno-socialista.
 
De todos esses fatos, quais lições devem ser compreendidas pela direita (neoliberal ou conservadora) sul-americana, incluindo nesse rol os cidadãos que rejeitam as propostas da esquerda, mormente no Brasil?
 
Inicialmente, devem ficar cautelosos quanto às derrotas da esquerda na Argentina e na Venezuela. O insucesso não restará incólume. Há risco de revolta armada. Não se pode retirar essa possibilidade do radar político e social. Há também a possibilidade de ruptura política, mesmo sem armas, através de golpes de estado naqueles países. Em se tratando de ideologias totalitárias, tudo é possível. Há conhecimento de milícias armadas prontas a agir.
 
A esquerda não se conformará facilmente com o momentâneo enfraquecimento de seu projeto de poder na América Latina. Far-se-á de morta, mas contra-atacará com destreza. Veja a comprovação do que se afirma clicando aqui.
 
Que a direita política e o cidadão de bem ressabiem-se dos próximos eventos. Toda cautela e atenção social são poucas, quando o adversário é "capaz de fazer o diabo" para prosseguir com seu projeto de manutenção no poder.

Brasil, 08 de dezembro de 2015.