A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE UM DISCURSO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Ouvimos recentemente discurso inconsistente e sem fundamento de que os partidos que se digladiam pelo poder há quase três décadas (leia-se, PT e PSDB) não são o melhor da política brasileira mas, se é o que nos resta como escolha ideológica, deve ser retratado como o "suficiente politicamente", mesmo sendo o menos pior para uma escolha. É o falacioso discurso Hegeliano dos fins justificam os meios: se não há melhor partido em que votar (meios), voto nos que estão na briga pelo poder (fins), isto é, os menos piores. Por outro ângulo: uso os meios (votar nos citados partidos) para chegar ao fim (eleger um dos menos piores). Nessa toada, fica completamente anulada a possibilidade de mudança do status quo político-econômico do nosso país.

Escolher o menos pior, quando qualquer deles é nocivo ao país, não é reverter o cenário atual, em que a moralidade, sob qualquer aspecto, está à deriva além mar e com difícil possibilidade de resgate. Fazer a escolha pelo menos pior, ou parte de mentalidade desconhecedora da história deste país ou enublada após décadas de discurso progressista. 

Como já afirmado em outros momentos, há duas principais formas de mudar o panorama econômico, político e cultural de forma profunda: (a) ruptura militar ou (b) ruptura social. Esta última, através de um trabalho ideológico (b.1) de uma ou duas gerações, ou através de um revolução civil (b.2). 

As rupturas (a) e (b.2) são traumáticas para uma nação, embora talvez necessárias quando os processos de desestabilização e desmoralização estão irreversíveis. O esforço ideológico, seja ele conservador, liberal ou esquerdista, é longo e árduo e parte do pressuposto da não escolha do menos pior. Escolher o menos ruim é, consciente ou inconscientemente, abster-se da mudança. Esta é a realidade, doa a quem doer.

Do mesmo modo absurdo foi o prosseguimento do mesmo discurso ao afirmar que não há questão ideológica envolvida na disputa bilateral de poder entre PT e PSDB. Só muito desconhecimento histórico ou preguiça de pensar - veja artigo nosso tratando do tema - para não vislumbrar que estes dois partidos são, em sua gênese, ideologicamente muito semelhantes, praticamente iguais. 

Isto é comprovado pela afirmação de importante quadro de um desses partidos ao afirmar que a disputa entre estes não é ideológica, mas sim, por quem estará no poder. Não por outro motivo que o hino da Intentona Comunista é executado em alguns encontros desses partidos. A ilusória oposição entre os dois partidos é metodicamente direcionada para que a sociedade imagine que, na política brasileira, há situação e oposição. Não há. Há décadas não há. Não se admirem se, ante a possibilidade de afastamento do poder, estes dois partidos unam suas forças e quadros para se oporem à situação. Não há ideologia nessa disputa? Ora, não nos venham com esse discurso covarde e desinformado. Perdoado estão os que apenas reproduzem o que não entendem.

Escolher o menos pior por ausência de mais qualificada alternativa não é a solução para nosso país. A solução passa pelo enfrentamento político e pela apresentação clara de que se conhecem os fatos históricos, que estes partidos são peça do mesmo jogo, sob o mesmo tabuleiro, compartilhando o mesmo lado ideológico, mas que não coadunamos com o cenário atual. É propor alternativa para o poder, mesmo que nos menores rincões deste país, a fim de, saudavelmente, termos opções díspares a optar. É revertermos, mesmo que aos poucos, este discurso de que há considerável oposição neste país, o que não há. O que existe são meios diferentes de se conduzir a política, a economia e a cultura deste país, embora estes meios sirvam para propósito único e exclusivo: enfraquecer qualquer discussão mais aprofundada sobre estes temas.

E mais: as "alternativas" políticas que eclodem no cenário brasileiro para as próximas eleições são da mesma estirpe, embora interpolando o mesmo discurso com um pequeno véu que tenta diferenciá-lo dos que se esgrimam pelo poder. Estas "alternativas", sejam velhas conhecidas ou novas no cenário político, se se assemelharem ao que está aí posto, seguirão o mesmo direcionamento e, se derrotados forem nos pleitos, serão a "oposição" desejada pela situação. A oposição que nada opõe ideologicamente.

Não precisamos aceitar o desafio de unir-se ao povo brasileiro para mudarmos, para melhor, o Brasil. Já estamos juntos, mas não nos misturamos com as forças políticas aí postas.

Não há quem resista à união do povo brasileiro!

A escolha do menos pior jamais será a melhor escolha para o Brasil.

Brasil, 19 de novembro de 2015.