DEMOCRACIA, ONTEM; GOLPE, HOJE


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

As teses sobre o impeachment da presidente Dilma controvertem-se. Há juristas, políticos, empresários, intelectuais, religiosos e cidadãos dos dois lados do embate. Enquanto os "exércitos" se posicionam para a batalha, o povo, no centro, aguarda atordoado o desenlace, embora muitos dos que se hostilizam prefiram o povo como mero espectador inerte do espetáculo. Mas para além de todo esse entrave de teses, há motivo maior para que todo o cenário atual seja transformado.
 
Independentemente da existência ou não de motivos políticos, sociais ou jurídicos para a deflagração do processo de impeachment, há pretextos dos mais importantes e essenciais para que a ruptura ocorra: os índices insuportáveis de corrupção, mentiras, embustes, falta de ética, tráfico de influência, enriquecimento ilícito, fisiologismo percorrendo os mais altos escalões políticos e econômicos do país. A tentativa de surrupiar a integridade de grande parte das instituições nacionais e a quantidade de recursos públicos desviados já são motivos suficientes para a que a população, independente da bandeira partidária que hasteiam, unam-se em prol do Brasil. Lembre-se que, é de bom grado, não se incluir nesse contexto de população os extremistas que abanam bandeiras vermelhas ideológicas.
 
A população que aqui se refere é aquela que, consciente ou inconscientemente, permanece na luta partidária em detrimento do país. É a constante e mais recente luta entre Dilma e Cunha, entre Cunha e Dilma, entre PT e PSDB, PT e PMDB, esquerda versus direita. Este confronto ideológico é centenário, e o esforço de findá-lo utópico. O caminho da unificação em prol do país não deve adentrar por essas veredas. O que aqui se postula é a união dos que acreditam nos valores morais que estão sendo deturpados, que procuram viver em honestidade, ética, retidão, mas que por empecilhos ideológicos sanáveis, fazem coro à luta que só atravanca o desenvolvimento da nação.
 
Exemplos clássicos dessa união social têm-se em grandes potências mundiais que sofreram as agruras de grandes guerras. Para além dos desejos pessoais, das individualidades, das premissas ideológicas, dos conceitos formados, a sociedade restante da guerra uniu-se em prol de uma causa maior: a restauração do que foi destruído nos anos de guerra. Destruição que contemplou, mais amplamente, bens materiais, embora muitos valores morais tenham sido corrompidos.
 
Embora sem vislumbre de qualquer grande guerra bélica a ocorrer em nosso país, verifica-se uma profunda guerra ideológica, destrutiva à nação. Os cidadãos que discernem este fato devem unir esforços para finalidade merecedora de louvor, que é a mudança urgente do cenário atual, em diversos aspectos sociais. Os que não discernem, mas com base em sentimento que  "as coisas estão fora do lugar", também devem se unir e bradarem com os que lhes prejudicam.
 
Enquanto perdurar esta infame disputa político-partidária-ideológica pelo poder, o horizonte que desponta não é dos mais claros. Ou a sociedade brasileira se percebe como protagonista dessa mudança (mas não a armada, ou de cunho ideológico irresponsável), ou os ideais mais repugnantes continuarão a preencher os espaços vazios, não ocupados por àqueles que tem o dever de salvar o país: o povo brasileiro.
 
Não importa se o impeachment é o golpe do dia, ou a democracia de ontem. O que mais importa é que TODOS QUE PREJUDICARAM O POVO BRASILEIRO NOS ATOS DE CORRUPÇÃO, FAVORECIMENTO OU ENRIQUECIMENTO ILÍCITO ATUALMENTE INVESTIGADOS SEJAM PUNIDOS.
 
Os que restarem erguerão esta nação, para um novo patamar, sob princípios e mandamentos dos mais louváveis.

Brasil, 04 de dezembro de 2015.