JIM JONES À BRASILEIRA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Não há qualquer novidade na conhecida metodologia utilizada por alguns ideólogos progressistas na arte de doutrinar outros indivíduos: a constante, sufocante e ameaçadora distopia da realidade, sempre fundamentada sob um inimigo externo ou interno. O inimigo, variável em sua espécie, define-se desde as reiteradas crises internacionais, que nunca se encerram, nass investigações judiciais caracterizadas por perseguição política, a grupos de indivíduos que, se não combatidos, permanecerão eternamente no poder opressivo sob a classe doutrinada. Qualquer semelhança da descrição acima com a mais recente história brasileira vai além da mera coincidência.

Exemplo histórico da asfixiante doutrinação praticada pelos adeptos da utópica e desastrosa causa regressista foi o nefasto evento ocorrido em 18 de novembro de 1979, em Jonestown, na Guiana. Neste dia, 918 pessoas cometeram suicídio (após beberem veneno misturado com ponche de frutas) ou foram assassinadas (a tiros e facadas) por terem acreditado cegamente na doutrinação de uma seita "cristã", o Templo Popular, de orientação socialista. Seu líder e fundador: o americano Jim Jones.

A seita esquerdista tinha como mandamento principal o ideal igualitário entre seus seguidores, que serviria de modelo para o mundo. Para Jones, todos os seus discípulos deveriam se abster dos bens materiais, almejando a simplicidade no existir, bem como utilizar "vestuário modesto para os frequentadores de cultos". No entanto, as regras não se aplicavam em completude ao líder fundador, que era "articulado para mascarar as partes dele que eram corruptas ou doentes", segundo relato de um sobrevivente aos massacres. Os que não seguiam as regras da comunidade eram punidos severamente. Os que tentavam fugir, eram mortos. Também eram mortos os que se opunham à seita, conforme o relato abaixo:

Em 1978, alertado pela preocupação de parentes de integrantes da comuna, o deputado federal Leo Ryan viajou à Guiana com uma delegação de 18 pessoas para visitar Jonestown. Depois de negociar entrada no local, a visita ocorreu em 17 de novembro. No dia seguinte, Ryan e mais quatro pessoas morreram a tiros em uma pista de pouso próxima ao assentamento. Poucas horas depois ocorreu o suicídio coletivo.

Porém, o que o modelo mundial de comunidade buscado por Jim Jones deixou de legado para o mundo foram os mesmos e arcaicos princípios das outras tantas tentativas de implantação do socialismo, baseadas em regras autoritárias e punições severas aos dissidentes, restrição de bens e alimentos, e fundamento de todo o projeto em bases insustentáveis, além das perseguições ao regime atribuídas a fatores externos. Na seita de Jim Jones avisava-se "aos seguidores que os serviços de segurança americanos estavam 'conspirando contra Jonestown'". A ideologia utilizada por Jones não admite a autocrítica dos próprios princípios, sempre certos e validados historicamente, ou aperfeiçoados para concretização no futuro. 

De modo semelhante, o fim perseguido por Jim Jones pode ser perfeitamente aplicado à atual realidade brasileira. Há a seita, vermelha em sua estampa. Há a comunidade, subsidiada com dinheiro público. A comunidade é o Brasil. Tal qual os participantes da seita de Jim Jones, alguns brasileiros vivem "em um 'estado de transe coletivo'", desapercebidos da realidade. Há ainda os integrantes aptos a matar e a morrer pela causa, através de seus exércitos. No caso Brasil, em "defesa da democracia", dos "direitos conquistados", da liberdade. Há ainda os inimigos: a crise internacional, a elite branca, a mídia, a burguesia, os panelaços, o "quanto pior melhor", a perseguição política, a criminalização do Partido. Os sintomas se parecem. 

A pergunta que resta é: quem é novo o líder, suficientemente articulado para mascarar suas partes corruptas e doentes?

Brasil, 24 de dezembro de 2015.