MÍSEROS MACACOS!


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Não se é mais novidade o imoral momento vivenciado pela sociedade brasileira. Obviamente, a imoralidade afeta de modo mais profundo e nocivo as famílias que, atordoadas em sua ampla maioria, têm extrema dificuldade de deparar-se com meios efetivos de proteção às avalanches de incultura despejadas diariamente em seus lares, por todos os meios possíveis de comunicação.

Uma das vertentes em curso desta destruição dos valores morais é a reformulação dos significados de palavras e termos da língua portuguesa. Conceitos como família, casamento, sexo, raça, maternidade, aborto estão sendo ressignificados, diariamente.

A estratégia comunista de desestabilização social é vigorosa, e uma de suas frentes de ação é na cultura: a ação cultural, a reformulação de visão de mundo. Em especifico, NAS ARTES CÊNICAS. De restrito rol de autores de teatro, remoem-se em seus caixões, por exemplo, Shakespeare, T.S Eliot, Jorge Andrade, Ariano Suassuna, Albert Camus, João Cabral de Melo Neto, Nelson Rodrigues, Nicolai Gógol, Oscar Wilde, Oswald de Andrade, após a exibição da peça "Os Macaquinhos", em Juazeiro do Norte, no estado do Ceará.

A desfaçatez da cena é denominada de "arte" por seus idealizadores e divulgadores, mas DE ARTE, DAS MAIS SIMPLES E PREMATURAS, TANGENCIA À DISTÂNCIA INCALCULÁVEL.

Os néscios protagonistas do evento tentam reproduzir (mesmo que ordinária e canalhosamente) o comportamento de símios, embora estes comportem-se com mais decoro do que os integrantes da súcia que os representam. O simples fato de se ter público que assista a tal palhaçada, ou que aprecie tal evento, não se pode categorizá-la como arte. O conceito de arte não é amplo o suficiente para contemplar tal imoralidade.

Andrew Lobaczewski, em sua primorosa obra Ponerologia [1], trata deste momento que vivenciamos como um ciclo temporal denominado de "época ruim", consequência de um "adormecimento" da alta cultura por anos, décadas. O período de efervescência de alta (boa) cultura, vivenciado no passado, é denominado pelo autor de "bons tempos", para os quais aquelas épocas, chamadas por muitas pessoas de ‘bons velhos tempos’, fornecem um solo fértil para a tragédia futura, por causa da degeneração dos valores morais, intelectuais e da personalidade” (LOBACZEWSKI, p. 70). 

O vívido solo fértil dos idos tempos de produção de cultura de qualidade e relevância, desencadeou na sociedade brasileira a desnecessidade de manutenção desta produção constante, surgindo espaços para a produção de uma nova cultura, embora asquerosa, cujo retrato se observa em "Os Macaquinhos". 

É o constante ciclo de épocas boas-épocas ruins descrito por Andrew Lobaczewski, onde a ‘felicidade’ contém as sementes da miséria e alimenta o ciclo eterno pelo qual épocas boas dão origem a épocas ruins” (LOBACZEWSKI, p. 68). Em outros termos, qualquer excesso de esforço mental nos parece trabalho perdido se as alegrias parecem estar disponíveis para serem curtidas. Um indivíduo inteligente, alegre e liberal é uma pessoa divertida; uma pessoa que prediz os resultados ruins que virão mais adiante torna-se um estraga-prazeres” (LOBACZEWSKI, p. 68)

Deve-se salientar que todo este "esforço" de produção de baixa cultura não é aleatório, mas direcionado ideologicamente. Como bem afirma Lobaczewskios tempos difíceis não são somente o resultado da regressão hedonista ao passado, eles têm um objetivo histórico a cumprir” (LOBACZEWSKI, p. 70). Sabe-se que em épocas de estabilidade econômica, social, política, isto é, durante boas épocas, as pessoas perdem progressivamente de vista a necessidade da reflexão profunda, da introspecção, do conhecimento dos outros e de um entendimento das leis complicadas da vida” (LOBACZEWSKI, p. 68). Foi durante este período mais recente, mormente no Brasil, que se intensificou a divulgação menos restrita de toda uma produção comunicativa alicerçada na revolução cultural, de baixa qualidade e praticada há décadas no Brasil.

A manutenção destes ciclos temporais ruins é metodicamente coordenada, de modo que a percepção da verdade sobre o ambiente real, especialmente um entendimento da personalidade humana e seus valores, deixa de ser uma virtude durante os chamados tempos ‘felizes’; os céticos ponderados são considerados intrometidos que não conseguem viver bens sozinhos” (LOBACZEWSKI, p. 68). Em outros termos, as verdades sociais são relativizadas. Toda a produção social elaborada em um país, não importando sua péssima qualidade, deve ser alçada como paradigma e baluarte da ação cultural, baliza para a novo ambiente real ficticiamente existente, mesmo que este ambiente criado seja extremamente nocivo à sociedade, pois quando as comunidades perdem sua capacidade psicológica da razão e da análise moral, os processos de geração do mal são intensificados em todas as escalas sociais, sejam elas individuais ou macrossociais, até que tudo se converta em épocas ruins” (LOBACZEWSKI, p. 69).

Difere do que se vive nos dias atuais na música, na literatura, no cinema, no teatro?

Embora o ciclo temporal ruim não favoreça ampla parcela conservadora da sociedade, inexiste um completo silêncio sobre estes fatos que afrontam a sociedade brasileira. As pessoas, mesmo imersas numa poluição cultural de péssima qualidade, ficam impressionadas pelo excesso do mal, [...] precisam reunir todas as suas forças físicas e mentais para lutar pela existência e proteger a razão humana. A busca por algum meio para escapar das dificuldades e perigos reacende poderes de discernimento há muito tempo sepultados” (LOBACZEWSKI, p. 70). Este é o processo natural de manutenção da espécie humana que busca a paz para gozar dos benefícios acumulados pelas gerações anteriores e para observar orgulhosamente o crescimento da geração futura por ela gerada” (LOBACZEWSKI, p. 67).

O próprio autor, em um momento de dúvida sobre a possibilidade de mudança, questiona se “chegará um tempo em que este ciclo eterno que deixa as nações quase impotentes poderá ser vencido? Os países poderão manter permanentemente suas atividades criativas e críticas consistentemente em alto nível?” (LOBACZEWSKI, p. 73). 

A realidade cultural brasileira não apresenta horizontes lúcidos de inversão do cenário atual. Cabe à sociedade brasileira se contrapor a todo tipo de produção, em qualquer meio, que fira os valores morais mais basilares, fazendo com que se encerre, mais rapidamente, este ciclo de épocas ruins. 

A sociedade brasileira não mais suporta permanecer no nível cultural em que se encontra e deve lembrar-se que épocas difíceis e cansativas dão origem a valores que finalmente vencem o mal e produzem tempos melhores” (LOBACZEWSKI, p. 71).

A ordem e o caos, embora opostos, possuem linhas limítrofes. A sociedade, em seus ciclos, pende para um dos opostos. É algoz e mártir do pêndulo que a transporta entre os extremos. Cabe a seus cidadãos decidirem em qual status permanecer, se na ordem ou no caos. 

Adentramos ao caos, há tempos.

Infelizes dos macacos, que na sua “irracionalidade”, fazem-se mais racionais que muitos dos que os imitam.

Brasil, 22 de novembro de 2015.


REFERÊNCIAS
[1] LOBACZEWSKI, Andrew. Ponerologia: Psicopatas no Poder. Campinas: Vide Editorial, 2014.