O BRASIL E SEUS CAIXOTES


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL


Os dias políticos passando e, mesmo àqueles não afeitos ao tema mas que assistem qualquer telejornal, escutam rádios noticiosos, ou leem jornais/revistas, parece despontar uma sensação de alívio, de conforto, de esperança (não a que venceu o medo, aquela mentirosa!), de dias menos piores, de um saneamento na corrupção no Brasil. Iniciam-se tempos de renovação, de alegria interior nas pessoas de bem, que por maiores que sejam os revezes vivenciados no seu dia-a-dia, apercebem-se que os causadores indiretos destes revezes são julgados pela mão do homem.

 

Antes de 2014 quase impossível seria discutir sobre política e a diálogo não se findar em: a classe política é desonesta, embora contemple os honestos, mas não é punida; ser político neste país é um dos maiores investimentos, pois se pode amealhar dinheiro público sem sofrer qualquer restrição da justiça. Bem, a conversa terminava assim até menos de 2014. Agora, mudou-se a cantiga: ser político neste país é um bom investimento pessoal, de sentir-se útil à sociedade, nobre na sua função, E QUE SERÁ PUNIDO CASO COMETA CRIMES.

 

Antes de 2014 a sociedade, como um caixote maior, era dividida em pequenos caixotes, dentre eles os caixotes da Justiça, dos políticos e ex-políticos, grandes empresários etc. Uns conectados ao caixote da Justiça, podendo por ela serem investigados e punidos. Outros, mesmo próximos, porém sem qualquer conexão, impunes de pronto e libertos ao cometimento das maiores atrocidades humanas, mesmo que sem o derramamento direto de nenhuma gota de sangue. No próprio caixote da Justiça, caixotes menores em seu interior, dividindo os puníveis dos impuníveis.

 

Pós 2014, março especificamente, os caixotes foram se quebrando e algumas "peças" vazando para o caixote maior, a sociedade. A cada dia que passa, mais "peças" desbancam para o caixote maior, que desde tempos remotos era para ter sido sempre único e exclusivo. Entretanto, durante séculos, a própria sociedade construiu os seus caixotes, independentemente do poder aquisitivo das peças. Caixotes não são castas, não são classes. São invólucros de privilégios sociais.

 

A descrição de todo esse cenário fictício (ou não!) serve para demonstrar que a Lei brasileira, apesar de desacreditada e com letra morta para alguns caixotes, não mais pode fazer distinção sem sua aplicabilidade. A sua correta aplicação é sopro de vida, de sentimento de confiança para grande maioria da sociedade brasileira. Há os que se posicionarão contra, que defenderão os malfeitores, surtarão ante a aplicação da Lei, mas estes têm ciência que são minoria inexpressiva nos caixotes brasileiros.

 

Chegou a nova era. O país do futuro se faz presente. Que novos caixotes sejam quebrados e que apenas três sobrevivam ao final: a sociedade, os brasileiros de bem, e os brasileiros que impedem a soberania do bem.

 

Para os últimos, a segregação vergonhosa, a justiça dos homens, as sanções devidas, o afastamento da res pública, a desonra social, a apatia antes seus malfeitos.

 

O caixote que impede a soberania do bem dificilmente será esvaziado por completo. É a tendência para o futuro.

 

O que não podemos aceitar é que este caixote tenha mais peças que os demais. 


Isto nunca, enquanto houver homens de bem neste país.


Brasil, 25 de novembro de 2015.