O BRASIL É UM GRANDE HOSPITAL


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Esta esplêndida frase escrita em meados do século passado, por Antônio Callado em sua monumental obra QUARUP, tem atualidade que salta aos olhos, mesmo aos menos afeitos ao aprofundamento crítico das questões brasilianas. É de entorpecer a contemporaneidade do significado da frase. O Brasil de ontem, como o de hoje, é um grande e abarrotado hospital, com seus diversos leitos, pacientes, histerias e doenças, em todos os níveis, em todas as fases da cura ou da morte.
 
Antes da análise da saúde do Brasil, é imprescindível alertar que, no Hospital que se formou esta nação, de um lado, há médicos e enfermeiros que, efetivamente tentam salvar vidas, que labutam persistentemente pela cura definitiva de seus pacientes, aplicando-lhes os remédios corretos, apresentando-lhes os reais sintomas, doenças e prognósticos de seus males. No outro extremo, há os que, metodologicamente, ministram placebo aos doentes, escondem-lhe os sintomas, omitem suas moléstias, alteram-lhe as prescrições, fraudam os relatórios clínicos, ludibriam seus colegas de serviço, tentam subornar outros profissionais médicos. Percebe-se, ante a descrição, que os pacientes tratados pelo primeiro grupo de médicos e enfermeiros terá grande possibilidade de cura. Ao contrário, doentes sob os cuidados dos médicos e enfermeiros do segundo grupo tendem a fenecer em seus leitos, uns mais rapidamente, outros em prazos mais longínquos, embora praticamente todos faleçam.
 
Descrito o cenário, tão fictício como real, expõem-se os pacientes.
 
A Política brasileira putrefaz-se, com baixas perspectivas de cura a curto prazo. As doenças que lhe assolam são muitas e complexas em seu diagnóstico. Partem de uma profunda esquizofrenia, negação da realidade e perda de memória generalizada. Também lhe acomete um total daltonismo ante a quase inexistência de aprovação social. A cura, mesmo que a longo prazo, requer profilaxia total do paciente. No atual grau de convalescença, sobreviverá, embora sob muito esforço da equipe médica, não a da que é contumaz na aplicação de placebo. O tratamento deverá ser à base de injeções de renovação, com boas doses de honestidade, caráter, compromisso com o eleitor, ética e discernimento entre público e privado.
 
Na Economia não se observa cenário diferente. O paciente, na UTI, arqueja na espera de melhoria clínica. A origem e os sintomas característicos das doenças que lhe foram diagnosticadas eram de conhecimento geral e prévio, estudadas e aprendidas há séculos, mas se insistiu em suas efemeridades, que estas não causariam maiores danos ao paciente. Não foram suficientes todos os alertas emitidos pelo primeiro grupo de médicos e enfermeiros ao segundo grupo de médicos e enfermeiros. As previsões contrariaram as expectativas. A Economia sucumbe ante a irresponsabilidade da aplicação exclusiva e repetida de placebo. Medicamentos agressivos estão agora sendo ministrados pelo primeiro grupo de médicos e enfermeiros, que por ora tratam o paciente. Muitos destes fármacos irão piorar a saúde do paciente em um primeiro momento, à espera de uma melhora geral a médio prazo.
 
Outro caso grave é o da Cultura, incluindo-se no leito a Literatura, as Artes e o Cinema. Os sintomas são os mais agressivos, sendo compostos por febre constante, cefaleias, tonturas, tremeliques, miopia, astigmatismo, vista embaçada,, cegueira parcial. Suspeita-se de câncer, em metástase. Paciente em estado terminal, epilético e esclerótico. Somam-se ainda problemas neurológicos, como caractereopatias irreversivas, psicopatologias, déficits de atenção e aprendizados, esquizofrenias, histeria e transtorno de personalidade limítrofe (borderline). Todo o processo doentio iniciou-se com simples constatação febril. Porém, após décadas ininterruptas de tratamento indevido, com aplicação de placebo e medicamentos de baixíssima qualidade, o paciente sucumbe. Mas há salvação. Parte da mudança urgente do grupo médico que trata o paciente, com amplo e correto investimento em medicamentos de melhor qualidade e a imediata interrupção do sangramento dos recursos públicos para o paciente, que se encontra com péssimos diagnósticos psicológicos.
 
Outro paciente residente do Hospital é a Educação, também afetado por diversas doenças de difícil tratamento. Este foi um dos únicos pacientes milagrosamente não tratados com placebo, pelo segundo grupo médico. Entretanto, as medicações aplicadas fizeram pior efeito. Dentre os componentes do medicamento incluem-se: 0,20g de identidade de gênero; 0,50g de doutrinação ideológica; 0,15g de política, militância e sindicalismo revolucionários; 0,20g de doutrinação homofóbica, xenofóbica e sexualidade; 0,30g de marxismo, leninismo; 0,20g de História de Cuba, URSS, Coreia do Norte e China; 0,05g de Che Guevara; 0,05g de História do Araguaia e Ditadura Militar; 0,10g de apologia ao islamismo e aversão ao cristianismo; 0,20g de doutrinação religiosa, aplicado em ampola da CNBB. Outros medicamentos são aplicados, em dosagens periódicas, dependendo do grau de saúde do paciente. Por outro lado, há total ausência de tratamento elementar, com boa dose injetável de Matemática, Química, Física, Geometria, Português, Literatura, História, Educação Moral e Cívica, Religião. Assim, o paciente sofre de sintomas semelhantes aos verificados na Cultura. Tratamento? Aplica-se a mesma metodologia aplicada a Cultura.
 
Mas o mais grave de todos os pacientes é a Sociedade, permeando e sofrendo todas as consequências dos males observados nos demais pacientes. Em face destas inúmeras doenças e da aplicação rotineira e maléfica de medicamentos incorretos, ora placebo, ora os aplicados aos demais pacientes, perece enraizada em profunda depressão, em face de tantos males que lhe assolam. O tratamento médico deste paciente é dos mais prolongados e cautelosos, pois a raiz dos prejuízos causados tangencia o âmago de seu ser. Não há outra perspectiva que não o tratamento único e exclusivo sob os cuidados do primeiro grupo médico, coordenado por médicos experientes, sábios e visionários.
 
Espera-se que os corretos tratamentos no Hospital Brasil iniciem-se imediatamente. 

Mas tão importante quanto os tratamentos é a profilaxia e imunização constantes do recinto, para que nele não despontem, amadureçam e persistam novas doenças graves.
 
Obs.: Urge a devida transferência do grupo médico adepto do placebo para curso de reciclagem, se possível, em local distante da zona vermelha da casa de saúde.

Brasil, 01 de dezembro de 2015.