PENSAR O PAÍS


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Muito se ouve ou se lê, como último argumento do vencido, que o processo político-social de impeachment não é a melhor solução para o país, e que o povo brasileiro deve, antes de qualquer fato, "pensar no país" e apoiar o atual Governo a sair desta crise, esquecendo de todas as atrocidades cometidas pelo Partido Estado e seus correligionários. Não informa este mesmo argumentador que o atual Governo não “pensou no país” quando institucionalizou a corrupção em todos os setores da atual gestão; quando sufocou o empresariado brasileiro com impostos e burocracia; quando praticamente extinguiu a indústria nacional; quando arruinou e aprofundou ainda mais a crise na educação, na saúde, nos transportes, na agricultura, no setor elétrico e de petróleo; não "pensou no país" quando fomentou inúmeras organizações de base para destruir os valores morais arraigados na sociedade brasileira; muito menos "pensou no país" quando se omitiu do combate à violência, enfraquecendo o hostilização ao tráfico de drogas e de armas, principalmente nas fronteiras, além de desarmar a população, perpetuando o estado de guerra civil que se vivencia na atualidade. Em síntese: os Governos dos últimos 20 a 30 anos não "pensaram no país", descarrilharam os vagões da nação. O impeachment, a ruptura social desejada por ampla maioria dos brasileiros, é sim "pensar no país".
 
Mas percebam: o impeachment é apenas o passo inicial, embora considerável em sua amplitude, para se recolocar o Brasil nos trilhos. O reposicionamento da nação no caminho certo deve ser alcançado pela aplicação dos eixos que seguem, mesmo que não delineados em sua completude:
 
Política: ocupação de espaços na política por cidadãos de bem; há um erro na consciência social de aguardar o surgimento de um novo "salvador" ou "líder" que irá, por força própria, resgatar a dignidade e o patriotismo do povo brasileiro, implantando a honestidade e a ética em todo o meio social. A "onda" política renovadora deve surgir do próprio povo. Será possível que entre 200 milhões de brasileiros, dos quais mais de 50 milhões são elegíveis, não se encontrem 594 cidadãos de bem a ocupar o Congresso Nacional e mais outros tantos para preencher as cadeiras em Estados e Municípios? Cidadão de bem que aqui se refere é o brasileiro honesto, probo, idôneo, que trabalharia politicamente em prol do povo que o elegeu, e não o que exclusivamente se protege sob os termos "democracia", "direitos humanos" e “elite branca” para se eleger, embora "trabalhe" contra a democracia, contra os direitos humanos, contra o povo brasileiro. Sempre haverá a ocupação de espaços por políticos da última espécie, mas estes devem ser exceção.
 
Economia: diminuição da carga de impostos; fortalecimento da indústria, com agregação de valor às commodities; fortalecimento do comércio. Não é possível "pensar o país" apenas fortalecendo o consumo em detrimento do fortalecimento da produção. Esta receita é insustentável, o que se verifica na atual realidade. Apenas como exemplo, não se considera natural um país com as dimensões e as riquezas do Brasil não possuir uma única indústria de concepção e produção automotiva independente. Este simples fato demonstra o atraso econômico que vivenciamos.
 
Educação: estancar a doutrinação ideológica e os movimentos de construção de bases educacionais voltadas para a formação de analfabetos. Revigorar o ensino, principalmente em escolas públicas, de matérias básicas e formadoras de cidadãos pensantes. Rever o plano de cotas raciais, pois o plano em si é a própria formatação do preconceito institucionalizado. Melhorar a formação e remuneração de professores. Centrar esforços na qualidade e rigidez dos cursos universitários, principalmente os que formarão os professores que ensinarão no ensino básico, médio e fundamental. Rever o plano de produção de conhecimento nas Universidades, aperfeiçoando o sistema e destinando os esforços dos pesquisadores para pesquisa de qualidade e não em quantidade. Revigorar a rigidez escolar para manter o respeito do aluno perante o professor, bastante enfraquecido após anos de implementação da revolução educacional.
 
Segurança Pública: fortalecimento das polícias militares e civis, extinguindo os movimentos para sua unificação, o que enfraqueceria estas polícias. As polícias militares e civis precisam ser melhor remuneradas, melhor aparelhadas, e receberem mais treinamentos. Fortalecer a Polícia Federal, agente importante no combate aos crimes que geram danos profundos à sociedade brasileira. Revogação do Estatuto do Desarmamento, facilitando o acesso a armas pelo cidadão brasileiro, de modo a diminuir-se o índice de criminalidade do país e aumentar a sensação de segurança pública.
 
Moral: extirpar dos postos de poder os que, direta ou indiretamente, afrontam a sociedade brasileira ao promover discursos que confrontam os valores morais enraizados na sociedade. Em paralelo, a ocupação de espaços pelo cidadão de bem em quaisquer eventos que tratem de temas onde estes valores morais sejam denegridos. Rebater, em cada diálogo, em cada conversa, mesmo a mais informal, qualquer posicionamento que macule os princípios respeitados pela ampla maioria da sociedade.
 
A sociedade está em crise e a única saída para a "guerra" que vivemos é aniquilarmos os malfeitos que estão postos, no eixos acima.
 
A solução mais próxima é a ocupação dos espaços, mesmo que árdua, mas que deve ser iniciada com a devida urgência.

Brasil, 16 de dezembro de 2015.