POLARIZAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA: UM DANO SOCIAL!


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL


A conjectura que se vivencia há mais de 20 anos na política brasileira é uma clássica repartição bilateral do poder: de um lado, a esquerda bolivariana retrógrada, surgida nos idos de 1980; do outro a "nova esquerda", dissidência da bolivariana, surgida nos idos de 1988, e ignorantemente denominada de "direita". A primeira rege a situação política atual, e a segunda é intitulada como a "oposição crítica", embora as duas sejam esquerdas no mais puro e profundo conceito de esquerdismo. O que as alimenta é a constante luta pelo poder, embora com propósitos, ideologias, princípios e finalidades semelhantes, apenas com meios e modos operacionais distintos.

 

Ao redor, gravitam partidotes sem expressão política mais robusta, incluindo-se os recém-criados e outros partidos históricos da esquerda, atualmente sem poder político e com pequena súcia de seguidores doutrinados nas mais velhas ideias marxistas. Ao relento, no máximo três ou quatro partidos com tendências direitistas, atabalhoadamente perdidos na política e sem qualquer quadro de maior expressão nacional, embora este último ponto seja generalizado na política nacional em tempos presentes. 

 

Muito diferente se apresenta a bipolaridade na política americana, onde esquerdidas (democratas) e direitistas (republicanos) tentam discutir política em alto nível, embora no interior dos pólos existam diversas tendências e correntes de pensamento comuno-socialistas ou conservador-liberais, respectivamente.

 

Retornando ao cenário político brasileiro, a disputa pelo poder se apresenta sob dois ângulos: o interno e o externo. No interno, a velha, carcomida e arruinada celeuma da luta de classes, da implantação do ódio entre ricos e pobres, ainda evidente em arcaicos e poeirentos discursos de alguns líderes da esquerda bolivariana. No aspecto externo, a manente luta pelo poder em face da "nova esquerda", embora não tão nova, autointitulada como a oposição paladina (sic!) do povo brasileiro.

 

E no meio desta controvérsia toda? Ah, aí se posta o abnegado povo brasileiro, aturdido em quem confiar ou em quem não mais confiar, utilitário dos propósitos políticos. Este mesmo povo, que deveria ser o único e exclusivo locutor para os que os representam, a voz uníssona a ser ouvida pelos políticos, é expelido e dissociado da finalidade maior: o seu bem-estar, em todas as áreas sociais descritas na Constituição de 1988. Mas vejam, o povo que aqui se relata não se deve confundir com movimentos sociais enquanto filiais de partidos políticos, ideologicamente vinculados a estes. O povo que se retrata é o cidadão de bem, trabalhador, honesto nos seus deveres sociais, pai ou mãe de família, que não abandonou a expectativa de vivenciar fartos tempos sociais.

 

O que se observa, no entanto, é o despenhadeiro colocado entre a batalha política bilateral, com o povo brasileiro posicionado na mais profunda e sombria fundura do precipício, com parcas possibilidades de ser ouvido, mesmo ante o mais estrondoso grito de esperança a fim de alcançar qualquer base sólida e por fim ao duelo. Em seu cume, pouco ou quase pouco se observa da massa vacilante que, nas profundezas sociais, aguarda o fim da guerra.

 

Este o principal equívoco: aguardar o fim da guerra, mesmo que esta arrefeça em parcos momentos.

 

Há uma quase completa ausência de partidos e personalidades políticos verdadeiramente delineados com a causa máxima de sua existência: o cidadão brasileiro. O corromper ocorre durante a chegada ao poder ou após a conquista, e é isto que o cidadão de bem têm que mudar, pois apenas ele, e ninguém mais, pode mudar de forma pacífica tal situação.

 

Dos 35 (trinta e cinco) partidos registrados formalmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no mínimo trinta deles têm perfil esquerdista. Três ou quatro com perfis estritamente não esquerdistas. Há uma carência de partidos conservadores, direcionados ao bem-estar do povo brasileiro, sem as doutrinações maléficas ao povo.

 

E mais: independentemente de partidos de ideologia A, B ou C, a ausência total é de estadistas preocupados com o cidadão de bem, com a moralização social negligenciada pela classe política em geral. Poucas e fracas são as vozes que confrontam a realidade social posta, pois as que o fazem na atualidade, só visam o combate à situação política com vistas à assumi-la.

 

Nada é mais poderoso que o bramir do povo brasileiro. Este pode se aperfeiçoar em revoluções civis, o que não desejoso, mas pode se concretizar no repúdio aos homens e mulheres que não coadunam com seus reclames, que os deixam deteriorar nas profundezas do desamparado.

 

Chegou-se ao insuportável, não apenas a nível local, mas em um cenário mundial.

 

Todo cidadão tem sua parcela de responsabilidade na mudança, seja intelectual ou operacionalmente.

 

É chegada a hora.


Brasil, 26 de novembro de 2015.