QUE VENHAM NOVOS LIVROS DE HISTÓRIA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Após os últimos desdobramentos da Operação Lava Jato, que está efetivamente limpando o país das mazelas criminosas centenárias, pondo ordem ao caos político-econômico, mais alguns malfeitores foram trancafiados, segregados da sociedade a quem tanto prejudicaram, embora sem derramar aparentes e escarlates gotas de sangue do povo brasileiro.

 

O rol de categorias sociais dos que repousam no cárcere amplia-se à cada nova fase da Operação. Antes restrita a doleiros e tesoureiros de agremiações políticas, agora envolve eminentes empresários, pecuarista, empreiteiros, banqueiros, ex-diretores de estatais, ex-políticos. Entretanto, a novidade máxima do momento é a reclusão de político em atividade, ou seja, não mais ex-político, mas político com mandato em vigor, em plena atividade, gozando de todos os seus direitos e imunidades constitucionais.

 

Em todo o período da Nova República e em um dos maiores períodos de democracia, embora longe de ser plena, não se houve prisão de qualquer político na fruição de suas atividades parlamentares. Assim, soma-se às categorias acima, a mais novel delas: o político. Soma-se a categoria no singular, pois apenas um foi encarcerado. Espera-se que logo o termo alcance o seu plural, pois o precedente de flagrante continuado aplica-se aos demais envolvidos nas falcatruas cometidas com base em petróleo e energia. Nenhum cidadão brasileiro posta-se acima do Estado Constitucional de Direito. Esta premissa é basilar para a fiel sustentação da democracia. Frise-se: nenhum, seja político, ministro de Estado, Presidente da República, mesmo na intitulada "das Bananas".

 

A prisão de político da mais alta deferência perante seus colegas de parlamento, embora em caráter nem tanto (como mostram as gravações que o levaram à prisão), é emblemática e representativa à sociedade brasileira. Este fato remete a texto de outro artigo publicado neste site, em que a perspectiva de um futuro político, econômico e social mais transparente atesta o funcionamento das instituições Polícia e Justiça Federais, inteira o sentimento social de que a justiça (e não Justiça!) venceu a esperança, aniquilou o medo.

 

E mais: os detidos em todas estas fases são meros políticos presos, e não presos políticos. As reclusões são fundadas em Lei, não em ideologia. Os crimes são comuns, não políticos. Foram presos pois cometeram crimes, segundo dados, relatos, investigações e provas incontáveis relacionados pela Justiça brasileira.

 

O que importa é que este fato histórico-social é ímpar, uno, raro. Reconta a história deste país. Acrescenta palavras, parágrafos, páginas inteiras aos livros didáticos. Extirpa outras tantas, falsamente postas, vergonhosamente persuadidas aos estudantes das escolas brasileiras. Apresenta a realidade tantas vezes encoberta e dissimulada. Exibe os reais protagonistas. Expõe os verdadeiros vilões. Os atuais livros de História já não mais se apresentam como válidos, pois muito do que ali está posto deve ser refeito.

 

Os próximos passos da Operação Lava Jato serão como o deslizar suave de borracha sob o grafite nebuloso e falho da história contada nestes últimos 20 anos.

 

O cenário requer virada de página, um novo começo.


Brasil, 27 de novembro de 2015.