ROSARIUM FECALIUM


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

O latim que intitula este artigo não tem qualquer relação com a primeira frase escrita pelo vice-Presidente, Michel Temer, em sua carta de "renúncia" encaminhada a presidente da República, Dilma Roussef. Não, não tem. Não insistam.
 
O contexto atrás do provérbio é um conjunto de fatos que desnorteiam, inquietam, incomodam e revoltam qualquer indivíduo mais atento aos fatos sociais e morais que não são normalmente percebidos por ampla maioria da população brasileira. De fato, é notório que grande parte da sociedade brasileira está atenta e atualizada às questões políticas e econômicas que machucam seus bolsos e caráter. Entretanto, a questão da moral é abanonada às discussões mais aprofundadas, relegadas a poucos círculos sociais, sendo tratada mais amplamente nos recintos religiosos. É neste ponto que se encontra a tragédia vivenciada, e o apocalipse moral que se aproxima.
 
É de difícil concepção e aceitação que um parlamentar, representante de parcela da sociedade que o elegeu, mesmo que idiotizada ideologicamente, seja capaz de adicionar discurso ao falatório de temas que vão contra a natureza humana, como o aborto. E mais: se esse parlamentar é do sexo feminino, e não do gênero (palavra que é sinfonia para os ouvidos dos que discordam de tudo que é normal) feminino, a defesa deste tema torna-se mais desprovida de sentido, esvaziada em seu fundamento, enfraquecida em sua concatenação e encadeamento de ideias. A defesa é contraditória: o único ser ser humano capaz de gerar vida, defendendo a morte desta mesma vida.
 
E aí, neste ponto, interpela-se: não se sentem prejudiciais à sociedade estas pessoas que defendem tamanha atrocidade, que é o assassinato de outro ser vivo? Aonde se encontram a ética, o caráter, os princípios morais, os mandamentos mais louváveis da humaninade? Não se concebe que estes atores sociais não percebam nada de errado, moralmente, em tudo que está posto na atualidade moral do Brasil. Devem estar cientes, mas talvez por ignorância ou adormecimento de caráter (para os que o tem) não entrevêem o infortúnio que provocam ao defender esta causa.
 
Da mesma sorte, se torna até absurdo concordar quando essas mulheres, geradas em famílias, muitas delas com o padrão homem-mulher-filhos, vinculem-se ao discurso da desconstrução do conceito de família. Será que estas não percebem que a revisão do termo destruirá de vez a própria família, abalando suas raízes morais, seus valores, seus mandamentos, seus princípios, colocando em risco a manutenção da espécie humana? E novamente: quando a exposição parte de parlamentar, agrava-se a situação, principalmente quando oriunda de parlamentar do sexo feminino, pois a mulher representa o alicerce mais forte do seio familiar. É inexplicável que o próprio sustentáculo da família (a mulher) seja a mesma força que tenta derrubá-la. É angustiante se aperceber de tais atitudes sem se questionar: estas pessoas não têm a capacidade de discernir o mal que provocam à humanidade?
 
O que se conclui é que, ou a ação em defesa destas questões maléficas à sociedade é propositada e criminosa, o que demonstra o vil espécime de ser humano que o pratica, ou a ação em defesa é tangenciada de inobservância do mal maior que se pratica, ou por ignorância da realidade histórica, ou ignorância do pertencimento a movimento destrutivo silencioso.
 
Em todo caso, até pelo aspecto dos sentidos humanos (de perceber que algo foge à normalidade) o mal que se perpetua cobrará seu preço, tanto dos que aguardam providências celestiais para organizar a desordem, tanto dos que praticam o mal, conscientes ou não de sua infâmia.
 
Mas os que consciente estão destas práticas infames, embora sem as praticar, é obrigatório qualquer tipo de ação contra estes atos.
 
É moralmente obrigatório não silenciar.

O sufocamento moral dos conservadores chegou ao insuportável.

Brasil, 09 de dezembro de 2015.