VENEZUELA: UM VOTO, UM TIRO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Já se comentou neste site que a derrota nas últimas eleições ocorridas nas Venezuela deve ser considerada como uma vitória da “direita” sul-americana, bem como de toda a sociedade dos países vizinhos. Entretanto, os mais beneficiados pelo revés bolivariano totalitarista foram os venezuelanos, sejam oposicionistas ou partidários vermelhos. A vitória é do povo venezuelano, muito dos quais idiotizados pelas promessas utópicas chavistas. A vitória, no entanto, deve ser comemorada com os olhos abertos: um voltado para o povo, para o resgate de seu bem-estar sufragado há décadas ou comprado com dinheiro oriundo do narcotráfico; o outro, para os derrotados, na iminência de utilizarem-se dos fuzis para a retomada do poder.

Dia após dia a imprensa divulga reportagens sondando um possível e próximo contra-ataque do governo derrotado, camuflado pelo discurso de “união cívico-militar” do poder popular, em comunas, com o apoio da Fuerza Armada Nacional Bolivariana. Em outros termos, é a efetivação da revolução armada para destituição dos oposicionistas vitoriosos, legitimamente eleitos pelo povo venezuelano bastante saturado do discurso vermelho mentiroso e utópico.

A situação política venezuelana encara a derrota como uma afronta à democracia (sic!), mas não informa que A MANUTENÇÃO DOS CHAVISTAS NO PODER É, VERDADEIRAMENTE, A MAIOR INJÚRIA À DEMOCRACIA, pois limitadora de direitos, liberdades e conquistas centenárias. Para esta esquerda a luta armada deve ser efetivada como modo de “enfrentar las distintas amenazas y garantizar la seguridad de la pátria[1], uma contradição clarividente, pois os últimos governos venezuelanos de esquerda afundaram o país em uma crise expressiva, finalizando o ano de 2015 com a maior inflação do mundo [3].

Como sempre, os ditadores venezuelanos (e também os brasileiros!) impõem, de forma vil, a culpa de toda a crise aos “constantes ataques perpetrados por la derecha nacional e internacional, y que recrudecieron en este 2015[1], à crise econômica internacional, a “guerra económica orquestada y perpetrada por sectores de la derecha, que ha contemplado el boicot a la producción, a la distribución y a la comercialización de productos[1] e aos fantasmas sociais, políticos e econômicos só enxergados pelos delirantes líderes comunistas. Aqui, como acolá, a sensação de derrota é materializada pelo aparelhamento do Estado com simpatizantes do bolivarianismo, principalmente nas Cortes Constitucionais [2][3].

Enquanto a direita venezuelana e internacional festeja as 122 (cento e vinte e duas) cadeiras conquistadas nas Assembleia Nacional daquele país, a esquerda derrotada com 55 (cinquenta e cinco) [3] cadeiras arregimenta seu exército, sob a cegueira dos parceiros comunistas sulamericanos, dentre eles o Brasil.

A batalha vencida foi como sopro de ar para a retomada do tempo perdido pela esquerda sul-americana  dos valores morais soterrados pelo comunismo, pela economia dilacerada, pelo projeto de poder pernicioso. Vencer a guerra exigirá esforço redobrado, com auxílio de potências mundiais democráticas que vêem toda a situação desenrolar “lá de cima”, pois a revolução não se desviará do seu curso totalitária, segundo palavras do mandatário venezuelano:

“El presidente Maduro señaló que en 2016 la Revolución Bolivariana se fortalecerá desde sus raíces para encontrar y dar con las soluciones que permitan superar las dificultades económicas que atraviesa el país, como consecuencia de la agresión de la derecha” [2].

O cenário futuro venezuelano é nebuloso.

Fontes: 
[1] http://www.aporrea.org/actualidad/n282652.html
[2] http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,chavismo-adota-rota-de-colisao-apos-derrota,1810729
[3] http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/12/1718468-apos-derrota-em-eleicoes-legislativas-maduro-ameaca-se-radicalizar.shtml

Brasil, 13 de dezembro de 2015.