A AMPLA QUESTÃO DO ABORTO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Entender a questão do aborto jamais pode se perfazer de forma não inclusiva, distante de alguns temas correlacionados. Por maior esforço intelectual que se desprenda, será inglório e pouco produtivo analisar, estudar e debater o tema aborto sem anexar às ações outros temas vinculados, como ideologia de gênero, feminismo, bioética, por exemplo. Entender o aborto como assunto distante destes outros é partir em desvantagem em face do movimento pró-aborto, que se utiliza desses outros temas para implantar sua agenda. Tal qual na Filosofia, que “se desenvolveu como tentativa de apreender e explicar o todo, ou seja, a totalidade das coisas” (REALE p. 2), deve o movimento pró-vida tentar entender o “todo”, ou seja, buscar conhecer os temas correlatos ao aborto. Só assim tentaremos nos antecipar às ações pró-abortistas.

A mais recente destas ações a confrontar o movimento pró-vida foi a explícita declaração da ONU [2] ao afirmar que “impedir o acesso a serviços de saúde reprodutiva dos quais apenas as mulheres precisam é ‘inerentemente discriminatório’ e pode violar os compromissos de Estados para com a Convenção contra Tortura.” Leia-se aborto onde há “direitos reprodutivos”. Para a ONU, proibir uma mulher de praticar aborto deve-se assemelhar ao crime de tortura. Quanto absurdo!

Para esta entidade internacional, o aborto deve ser enquadrado como uma das facetas da ideologia de gênero. Esta afirmação fica clara quando a ONU compara a impossibilidade da prática do aborto como tortura à mulher: “países devem considerar a violência de gênero como ‘uma forma tortura’, empenhando-se ainda mais no seu combate e proibição”. Assim, “estados-membros não podem ignorar suas obrigações de combater abusos que afetam mulheres e meninas do mundo todo e que podem ser vistos como ‘tipos de tratamento degradantes, cruéis e desumanos’.” 

Em outro ponto da reportagem, a retórica dos ideólogos abortistas se mescla à ideologia de gênero e ao aborto: “sofrimento mental e físico imposto às vítimas mulheres reforça o ‘status subordinado’ delas em determinadas sociedades, permitindo a manifestação do controle exercido pelo patriarcado sobre seus corpos e sexualidade.” Desse modo, o controle do Estado sobre os corpos e a sexualidade das mulheres, ou seja, a proibição do Estado da prática do aborto, deve ser considerado crime de tortura, pois causa “sofrimento físico” e mental às mulheres. A vinculação fica mais nítida pela leitura do texto abaixo, embora de todo inverídico:

“Os especialistas também alertaram para a vulnerabilidade das mulheres à tortura durante a gravidez e o nascimento. ‘Apesar de saberem que o aborto inseguro é uma das causas principais da mortalidade e morbidade maternas, alguns Estados continuam a aplicar uma proibição completa dos abortos ou leis de aborto altamente restritivas, forçando mulheres a (passar por) situações de desespero e perigo’”.

Fica claro, dessa forma, a necessidade de se perceber os sorrateiros movimentos dos abortistas e entidades que os apóiam ao reafirmar a agenda do aborto como uma causa feminista. Além de promover as conhecidas ações inerentes à causa do aborto (como as ADPF`s ajuizadas no STF, por exemplo), o movimento pró-aborto age com todos os recursos doutrinários e ideológicos que possuem. Outrossim, estas ações são avigoradas por um movimento feminista mundial, coeso, estruturado, bem financiado, com espaço de atuação em todas as instâncias institucionais de nosso país. Para o movimento abortista, feminismo e ideologia de gênero são o suporte para o tema aborto. 

Respeitamos os que discordam de tal posicionamento, porém cientes de que discordar é atrasar o progresso em defesa da vida e da família dos brasileiros.

Referências:
[1] REALE, Giovanni. História da filosofia grega e romana: Sofistas, Sócrates e socráticos menores. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

Brasil, 23 de março de 2016.

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