A BALANÇA POLÍTICA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL
Publicado em 10 de novembro de 2016

A
eleição de Donald Trump à Presidência dos EUA sacudiu o mundo político mundial. Sobre este fato muito já se escreveu, noticiou, comentou, analisou, discutiu, opinou em mídias das mais diversas: jornais, TV, rádio, internet etc. Os motivos a explicarem tal surpresa também não se resumem a poucos. Das diversas análises e motivos, um ficou claro aos que vos escreve: a balança política pesou mais para quem menos desrespeitou a tradição, os bons costumes, a moral hegemônica, a verdade.

Espelhando a realidade política americana, a tendência é que em 2018 vejamos algo semelhante nas Eleições Presidenciais no Brasil. Na disputa efetiva para Presidente da República, onde dois (no máximo três) candidatos se coloquem à frente nas pesquisas de opinião pública, a balança política do voto se fará presente. Obviamente que uma disputa política não pode ser dimensionada exclusivamente como se resolvêssemos um desafio exato. Muitos outros fatores devem ser incluídos na análise. Mas no final, para grande parte dos eleitores com discernimento político, mesmo que não dos mais apurados, a balança política resolverá a questão.

Num cenário de disputa em que há razões diversas para decidir em quem votar, cada detalhe político perceptível do candidato será agrupado de um lado da balança, contabilizando-se como negativo/positivo. Naturalmente, essa divisão em positivo/negativo, certo/errado, parte do pressuposto de uma média racional do cidadão-eleitor, pois as divergências e exceções configuram incontáveis possibilidades imagináveis. A título de exemplo, o envolvimento ou não com corrupção poderá ser auferido como ponto positivo ou negativo, dependendo da perspectiva do eleitor. No geral, como afirmamos, esse é um clássico ponto a pesar do lado negativo da balança.

Na mesma linha, diversos outros pontos deverão ser contabilizados na balança política do voto. Como outros exemplos, diversas pautas devem ser analisadas: aborto, ideologia de gênero, casamento gay, ideologia política-educacional, drogas, jogos de azar, política de desarmamento, liberdade religiosa. Nesta perspectiva é essencial que o eleitor distribua cada um desses pontos como positivos ou negativos. De pronto, para um eleitor conservador, grande parte destas pautas citadas deverão ser negativadas. Inegavelmente, uma ou outra será controversa, como por exemplo, os jogos de azar ou a política de desarmamento, o que não impede que, de acordo com a convicção do eleitor, também encaixar essas pautas como positivas ou negativas.

Pouco adianta ao eleitor negar-se a escolher o voto por meras conjecturas ou não atendimento total de todas as suas pautas imaginadas. Assim, deixar de eleger um candidato por vislumbrar uma possível mudança de opinião ou comportamento deste é apoiar indiretamente os demais candidatos, principalmente os que já têm, de início, pautas contrárias às do eleitor. Em outros termos, abdicar da escolha de uma opção mais próxima de suas convicções, por um incerto acontecimento futuro (ou pior, optar pelo oposto) é coadunar com a agenda contrária às suas convicções, fortalecendo o adversário. Mais explicitamente: deixar de escolher um candidato que não é claro em seu posicionamento sobre o aborto é, regra geral, mais prejudicial do que escolher um que, de início, já se coloca a favor de tal conduta antissocial.

Num cenário de quase completa ausência de representatividade política, a forma menos injusta para com o próprio eleitor, é se utilizar da balança política, cujo instrumento é o voto, para decidir qual candidato opõe-se o menos possível às suas convicções. No caso concreto de um eleitor conservador, que finca suas bandeiras tradicionais para manter o progresso social condizente com suas convicções tradicionais, é por na balança os pontos positivos e negativos dos candidatos. O que menos afligir suas pautas, opiniões e convicções, deverá ter seu voto. 

Não há, em futuro próximo, grandes perspectivas do surgimento de um candidato que atenda as principais pautas conservadoras. Assim, a via é escolher o que menos pode prejudicar-nos, fazendo a roda gigante da eterna busca da manutenção da normalidade social não parar de girar.
Casa Luz
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