A CONSTRUÇÃO DO NOVO HOMEM


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

O
fascismo e o comunismo ficaram reconhecidos na história da humanidade como os regimes ditatoriais ideológicos que aniquilaram milhões de seres humanos, principalmente nos países onde estas ideologias foram dominantes, nos diversos períodos da história da humanidade. Como ideologias econômico-político-sociais, estes regimes fizeram sucumbir impiedosamente seus dissidentes. No entanto, o que nos mais impressiona é que dentre os milhões de mortos, muitos dos assassinados convergiam sob a égide da mesma ideologia, ou seja, faziam parte do regime, às vezes em posições de liderança. No entanto, para a cúpula ditatorial destes regimes, todos os meios disponíveis, por mais cruéis que fossem, eram válidos e permitidos para a construção do "NOVO HOMEM". A busca pelo "NOVO HOMEM", um ser perfeito em suas condições físicas e mentais, levou ao sofrimento visceral e à morte milhões de outros seres humanos tidos como imperfeitos, descartáveis, prescindíveis e não-encaixáveis ao projeto maior, mesmo este projeto sendo de alcance meramente imaginário.
 
Algumas décadas após o fim da II Grande Guerra Mundial, surge formalmente outro movimento ideológico de mulheres, denominado de feminismo. Sob uma base conceitual oriunda de médicos, sociólogos, psicólogos, psiquiatras, filósofos e outros tantos intelectuais, este movimento social civil organizado conceituou e desenhou os principais aspectos e características de uma nova ideologia (des)humana: a ideologia de gênero. O gênero, historicamente, já havia sido contemplado e experienciado na prática médico-psicológica. Entretanto, seu conceito só foi pavimentado no início dos anos 90. Após sua definição conceitual, as bases estavam sedimentadas para a operacionalização e busca do "NOVO SER HUMANO", agora em sua sexualidade.
 
Mas há similitudes entre os dois projetos acima delineados? Sim, há, e várias. Vejamos.
 
Tal qual a ideologia do "NOVO HOMEM", subjugando milhões de indivíduos, a desenfreada reinvindicação do "NOVO SER HUMANO", em sua sexualidade, aprisiona este "NOVO SER HUMANO" num jogo pragmático e irrefreável de adaptação ao impossível sexual. Tal qual a inalcançável adaptação ao homem perfeito (NOVO HOMEM) em seu físico e psique, o "NOVO SER HUMANO" moldável e adaptável da ideologia de gênero é subjugado na constante busca por sua definição sexual, mesmo que entre as opções sugeridas seja uma indefinição sexual completa, ou seja, uma sexualidade neutra. Na busca do "NOVO HOMEM" fascista-comunista, as mais indefesas vítimas do processo eugênico foram as crianças. Na ideologia de gênero, o processo de eugenia da sexualidade também é direcionado especialmente às crianças, fazendo-as as suas maiores vítimas.
 
Na ideologia fascista-comunista, os fundamentos para a construção social do "NOVO HOMEM", e os atos desencadeados nesta busca desenfreada, eram difíceis de compreender pelos próprios comunistas, quiçá pelas vítimas indefesas, pois se fundavam em aspectos contraditórios, inconcebíveis, ininteligíveis. Na ideologia de gênero, a construção social do "NOVO SER HUMANO", em sua sexualidade, padece dos mesmos males da construção do "NOVO HOMEM", já que tenta se justificar sob conceitos e fundamentos obscuros, contraditórios, ininteligíveis, impraticáveis, não-científicos. Tal qual na busca do "NOVO HOMEM", que dever ter sua aparência física e psíquica ressignificadas, o "NOVO SER HUMANO" deve ter sua sexualidade ressignificada. O "NOVO HOMEM" fascista-comunista é aquilo que a ideologia entende ser. O "NOVO SER HUMANO", do mesmo modo, é aquilo que a ideologia de gênero faz com que este entenda ser, subjetivamente, mesmo que em distopia com a realidade.
 
Tal qual na ideologia do "NOVO HOMEM", na ideologia do "NOVO SER HUMANO" em sua sexualidade, os que mais sofreram e sofrem são especificamente os que menos podem ser contrapor aos regimes: as crianças. No regime ditatorial do "NOVO HOMEM" incontáveis crianças padeceram ou viram seus entes queridos padecerem sem entender o real motivo de tanta desgraça. Não lhes foram dadas as oportunidades de desfrutar de algo que foi lhe concedido naturalmente: a vida. No regime ditatorial da ideologia de gênero, as crianças compadecem em seus berços sem entender o real motivo da a obrigatoriedade de decidir sobre algo que lhe foi concedido naturalmente: seu sexo. Igualmente, sofrem seus entes queridos ao presenciarem o compadecimento de filhos, sobrinhos, afilhados, sem que, muitas vezes, se permita a objeção contra tal ideologia.
 
O constructo do "NOVO HOMEM" tinha como finalidade torná-lo um ser perfeito, imbatível corporal e fisicamente, porém completamente dependente dos seus ideólogos criadores, fomentados pelo Estado-Nação. O constructo do "NOVO SER HUMANO", em sua sexualidade, também almeja a perfeição sexual do seu ser, já que adaptável à qualquer possibilidade existente, trafegando entre todas as formas possíveis de uma "sexualidade" imaginária. No entanto, tal qual o "NOVO HOMEM", o "NOVO SER HUMANO" restará completamente dependente dos seus ideólogos criadores, também fomentados pelo Estado. 

Os dois (NOVO HOMEM E NOVO SER HUMANO, em sua sexualidade), embora se entendendo como seres superiores e modernos, remanescerão apenas como seres moldáveis, plasmáticos, remodeláveis e modificáveis, a bel prazer de seus ideólogos. O "NOVO HOMEM" meramente imaginário e inatingível (pois cada ser humano tem características particulares que lhe diferenciam dos demais, salvo raras exceções) assemelha-se em imaginação à sexualidade amorfa da ideologia de gênero, impossível de se aperfeiçoar, pois diametralmente oposta e conflitante com a natureza biológica do ser humano.
 
Afora as similitudes apresentadas, entre as ditaduras fascistas-comunistas e de gênero, há uma grande diferença entre estas. 

Aos fatos históricos da primeira não mais nos é possível contrapor, pois que restam na historicidade dos acontecimentos. Apenas podemos ler suas páginas em livros de História e orientarmos nossos filhos sobre o quão nociva foram à humanidade. Em relação à ideologia de gênero, ainda nos é dada a força e a oportunidade do combate, para que não tenhamos que ler, nos mesmos livros de História, o quão nocivo esta ditadura da sexualidade foi nociva aos nossos pares, às nossas crianças, mas que não conseguimos ou pouco fizemos para combatê-la.

Brasil, 05 de agosto de 2016.