A DELAÇÃO DA NEGAÇÃO.


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL
Publicado em 10 de dezembro de 2016

A
delação da Odebrecht deixou algo bem claro ao povo brasileiro: todo o sistema (establishment) está contaminado. E todo o sistema inclui não só o Executivo, mas o Legislativo e o Judiciário. Entretanto, todo o sistema não representa que todos os integrantes do sistema sejam corruptos. Representa que as bases do sistema, as instituições, os poderes constituídos se beneficiaram da corrupção. E mais: grande parte do sistema privado também está envolvido.

Se os envolvidos na delação seguirem a mesma linha dos outros já acusados, qual seja, a negação completa dos fatos, só nos resta esperar que os demais integrantes não envolvidos atuem com imparcialidade e firmeza, de modo a sobrar algo de honesto nos três poderes. O complicador é que poucos são os que não estão envolvidos. Assim, os que restam, são voz rouca no estridente barulho da corrupção. Mesmo o Judiciário, em sua alta cúpula, não pode ser considerado baluarte da integridade e confiança popular. Apenas dois ou três juízes (incluindo procuradores e delegados) não serão o suficiente pra lavar o rio de lama que corre das colinas de propina.

As Forças Armadas adormecem. Não podem colocar seus tanques e tropas nas ruas. Também não aguardam mais manifestações de rua, pouco frutíferas na prática política. A ocupação prolongada dos símbolos do establishment (Congresso, Ministérios, Cortes Judiciárias) é praticamente inimaginável na atual conjuntura sócio-política. Ares de desobediência civil já se observam nos arredores de conversas de bastidores. O mal da desobediência seria tremendo, mas não estão dando alternativa viável à sociedade civil.

Se homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a delação da Odebrecht fará a Operação Lava Jato perdurar sem data para encerramento. Mas não apenas isso: fará de 2016, comparativamente, um ano calmo na política e nas páginas policiais. Seremos sufocados em 2017 por notícias de novas fases da Lava Jato, novas prisões, novos indiciamentos, novos nomes delatados, novos escândalos. Caso não seja homologada, novas manifestações em Brasília, nas ruas e no Congresso.

O que se conclui desse teatro todo é que o ano de 2016 se foi, mas o brasileiro não o viu passar. O ano que insiste em não terminar ficará nas páginas da História do Brasil, embora cada brasileiro desejaria esquecê-lo por completo. O certo é que o sistema está completamente contaminado pela corrupção, pela mentira, pelo interesse próprio, pelo amor ao bolso mas repúdio ao povo. 

Uma das saídas é que os capitalistas (empreiteiros, mega-empresários, por exemplo) não mais se curvem à ambição dos sociocapitalistas: os socialistas amantes do grande capital. Estes, incoerentes amantes do dinheiro, não socializaram os valores recebidos. Usaram-no em benefício próprio, de suas famílias. Secaram o pote de riquezas do país. Deixaram à míngua nossa nação, milhões de brasileiros, milhares de famílias. Quem foram os mais beneficiados por toda esta corrupção institucionalizada senão ex-Presidentes, ex-Ministros, a emergente nova classe burguesa, saída dos escombros do socialismo em decomposição?

Que venha a delação da Odebrecht, trazendo novos escândalos políticos mas também nova esperança de justiça!
Casa Luz
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