ABORTO APÓS A VIDA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Vivemos uma realidade de ampla relativização das virtudes, dos valores morais, dos significados das palavras, das categorias determinantes. Dentre estes valores essenciais ao ser humano, a relativização engloba o mais importantes deles: a vida. O movimento pró-vida, em constante fortalecimento, se depara diariamente com o uso indevido e impreciso de termos, palavras e conceitos pelo movimento pró-aborto, com o único intuito de relativizar a vida. Este, utilizando-se de subterfúgios dos mais desprezíveis, contabiliza a vida humana não pelo seu esplendor ao surgir, mas na frieza numérica dos que não devem ter o direito de nascer.

O aborto, mal maior almejado pelo movimento pró-aborto, é conceituado e entendido como o homicídio de ser humano em processo de gestação intra-uterina, desde a fecundação. É assim que o tema é tratado em nosso Direito Penal. É assim que entendem nossa Medicina, Biologia, Biomedicina. Para estas ciências, abortar é fazer cessar, violentamente, vida humana em processo de formação. É sob este fundamento que labuta o movimento pró-vida. Mas não o movimento pró-aborto.

Abortar, em conceito amplo, assemelha-se a falhar, fracassar, frustrar (NASCENTES, p. 13). É o que se depara uma mãe que, involuntariamente ou não, aborta. Na quase totalidade dos casos, a sensação de falha, de fracasso, de frustração absorve a mãe que não pode gerar um filho o necessário para dar-lhe a luz. Frustrar, para além da sensação subjetiva negativa para o que fracassa, também pode reverberar reação negativa para aquele que espera o que foi frustrado. Assim, em síntese, a frustração contempla duas vertentes: o que se frustra e a quem se frustra. Para compilar e aclarar o que até aqui se analisou, trazemos recente notícia divulgada em jornal de grande circulação.

A mais recente invencionice do ser humano na cidade de Woodburn no estado de Indiana, nos Estados Unidos, foi a “instalação, no mínimo, curiosa […] de um compartimento para abandonar bebês, chamado Safe Haven Baby Box” [2]. Cada caixa custa em torno de U$1 mil e U$2mil, tratando-se “de uma espécie de caixa acolchoada, que dispõe de controle de temperatura, além de um sistema de segurança, que envia um chamado de emergência quando detecta a presença de um bebê”. Desse modo, se uma mãe dá luz a um bebê mas decide não permanecer com esta nova vida gerada, pode abandoná-la em via pública, em caixa (in)apropriada para receber o recém-nascido, o que também não impede o recebimento de bebês com alguns meses de vida.

 
 
 

A partir dessa torpe perspectiva, a mãe que abandona frustra seu bebê de ter uma vida em proximidade aos seus genitores. Embora pareça de mal menor, pois se é melhor uma vida do que um aborto, em qualquer de suas possibilidades, frustrar o bebê nesse cenário é abortar a possibilidade de seu completo desfrutar da vida junto aos que lhe geraram. Para os pró-aborto, tais caixas são a consequência enviesada de uma vida que nem deveria existir mas, que se veio a completar-se, deve ser enfraquecida nas várias vertentes de sua vida, o que passa pela ausência dos vínculos parentais. É assim que os pró-aborto agem com suas vítimas gestantes: abandonam-as após o descarte do feto sem vida. Com as caixas acima, abandonam as mães e após o descarte do bebê em vida.

Em sentido oposto, as batalhas enfrentadas pelo movimento pró-vida são tanto salvar a vida do ser em gestação como dar todo o suporte necessário à gestante após o nascimento de seu rebento. Esta uma das principais e mais importantes diferenças entre os que lutam pela morte (pró-morte) e os que lutam pela vida (pró-vida). Aqueles, os vigaristas do óbito, descartam nossos filhos pela morte e se alegram com os descartes de nossos pares em vida, seja esta recém-nascida ou já bastante vivida. Estes, os pró-vida, cuidam da vida humana desde os primeiros momentos da fecundação até seu derradeiro sinal de existência, pois cientes que não é assegurado a nenhum ser humano a decisão de quanto tempo deve viver um outro ser humano, seja em estado intra ou extra-uterino.

Referências:
[1] NASCENTES, Antenor. Dicionário de Sinônimos. 4a. ed. Rio de Janeiro: Lexicon, 2011.

Brasil, 04 de maio de 2016.

Siga-nos nas mídias sociais: http://facebook.com/criticapoliticabrasil
The gadget spec URL could not be found