ABORTO: DIGNIDADE NO ERRO?


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

É
comum o discurso abortista não ultrapassar a seara da moral, da ética, ou da religião, para se aprofundar detidamente no campo científico. Já se comentou anteriormente que, mesmo nestes primeiros âmbitos, não há qualquer fundamento lógico e racional para a defesa de tal ato. No campo científico, menos ainda, pois a cada avanço da medicina e áreas afins, mais se confirma a condição de vida humana nos primeiros momentos da fecundação, o que impede de imediato a prática abortiva.

Assim sendo, é natural que o movimento pró-aborto não se aventure no terreno da ciência, pois ali afundará, sem retorno, na areia movediça do conhecimento. Em compensação, utiliza do falseamento da realidade para tentar fincar seus pés em outros campos mais abertos. 

Um dos fundamentos mais utilizados para tentar alegar um pretenso motivador à prática do aborto é a dignidade da mulher, como ente de direitos a preservar este atributo moral. Assim, a dignidade humana é hasteada ao ápice do rol dos argumentos em defesa do aborto, servindo como ferramenta para a insana tentativa de legalização de tal prática.

Dignidade, conforme consagrado dicionário da nossa língua portuguesa [1] (FERREIRA, p. 716) significa aquilo que se vincula à honestidade, à decência. Qual a decência em se realizar a interrupção precoce de uma vida alheia? Como se cogitar em honestidade, perante si e a sociedade, pela prática do aborto ou de sua promoção? O ato de abortamento, analisado no balizador moral do homem-médio, não se adjetiva com os termos honestidade ou decência. São palavras que não caminham juntas. No entanto, contra toda a lógica, o instrumentalismo abortista reverbera seus pressupostos na dignidade da pessoa humana, como objeto para além da honestidade ou da decência.

Da mesma forma, usa-se a dignidade humana como hipótese fundamental para tornar a prática do aborto algo aceitável em uma sociedade. Mas como se utilizar deste princípio para se imaginar um ato moral na prática do aborto? Esta tentativa, literalmente, beira à imoralidade. Na busca da "moralidade" de tal ato, usou-se como estratégia posicionar a dignidade como fundamento da liberdade, pois assim lhe dava razão de ser, podendo o homem aderir a qualquer erro em nome de sua dignidade [2] (LEFEBVRE, p. 80). No entanto, “isso era por o carro à frente dos bois, apresentar as coisas pelo avesso. Pois aquele que adere ao erro decai de sua dignidade e nada se pode mais estabelecer sobre o erro. De outra parte, o que fundamenta a liberdade não é a dignidade, mas a verdade.” (LEFEBVRE, p. 80).

Assim, ao escapar da verdade científica, a defesa do aborto afasta-se de qualquer possibilidade de se fundar numa prática possível da dignidade humana, já que inexistente neste aspecto. A liberdade defendida pelo movimento pró-vida, qual seja, de preservação deste bem humano, só pode assim ser exercida em sua amplitude pois em harmonia com o respeito à verdade, qual seja, de que a vida se inicia na concepção. Por outro lado, a "liberdade humana" sustentada na perspectiva do movimento pró-aborto, como distante da verdade, não pode ser arguida em causa própria! 

A dignidade humana não pode ser fundamento para uma liberdade ilimitada, principalmente a que se assenta no erro, como o aborto, por exemplo. Se a prática do aborto naturalmente confronta a verdade científica, provada e comprovada, restará limitada em sua prática. Da mesma forma, não podem os abortistas sequer conjecturar de uma pretensa liberdade errante como norte da dignidade humana, pois o erro na prática do aborto faz cessar a liberdade humana na prática de ato indigno de sua natureza.

Em síntese, pode-se afirmar que não há meio digno para o aborto, que deve ser limitado em sua realização, pois que contraria os fundamentos científicos. Dessa forma, só assim preservaremos a dignidade humana em sua ampla acepção.

Referências:
[1] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
[2] LEFEBVRE, Mons. Marcel. Carta aberta aos católicos perplexos. Niterói: Permanência, 2015.

Brasil, 06 de outubro de 2016.