ABORTO E MICROCEFALIA: COMO REFUTAR ALGUNS ARGUMENTOS DO MOVIMENTO PRÓ-ABORTO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Mesmo que não aparente, inexiste qualquer migalha de honestidade em todo o movimento pró-aborto. Não há necessidade de maior demonstração por absurdo para se chegar à esta conclusão. A simples verificação dos fatos históricos e da própria finalidade do movimento já provam o elevado grau de desonestidade e de torpeza. O movimento, constantemente na surdina, trabalha na produção e divulgação de pérfida e nociva ideologia. Ideologia que subsiste na morte, no perecimento do ser humano; que se felicita com o sofrimento do outro.
 
No Brasil, a discussão sobre o aborto recebeu impulso após a “legalização” do aborto de anencéfalos, aprovada no Supremo Tribunal Federal (STF) após forte lobby do movimento pró-aborto no ano de 2012. Desde esta data, os pró-abortistas aguardavam oportunidade para reinserir no debate público novas categorias possíveis de aborto. Assim, a partir do ano de 2015, mediante surto epidemiológico de casos de microcefalia, principalmente em gestantes, os pró-aborto iniciaram ações mais abrangentes para a legalização do aborto de fetos microcéfalos, findando com a iniciativa de propor outra ação no STF, com intuito semelhante ao da proposta nos idos de 2012. A aprovação majoritária desta nova ação no STF é tida como certa pelo movimento pró-aborto, ampliando, infelizmente, o rol de casos concretos em que o aborto será legalizado. A tarefa de “legalização” do aborto de fetos microcéfalos, conforme própria declaração dos movimentos pró aborto [6] deverá ser mais complexa, mas estes confiam na ratificação judicial da proposta.
 
Ante o cenário que se avizinha, alguns pontos da possível proposta que poderá fundamentar o pedido devem ser imediatamente refutados, pois desprovidos de qualquer alicerce científico. Neste artigo, trataremos cada ponto em separado, após uma breve descrição do que é a microcefalia.
 
Microcefalia é “é um termo usado para descrever um distúrbio neurológico raro que se caracteriza por uma cabeça substancialmente menor em um feto, em comparação com as dimensões da cabeça de outras crianças da mesma idade e sexo. Microcefalia é geralmente causada devido ao desenvolvimento anormal do cérebro no útero, ou após o nascimento. Por vezes, é diagnosticado após o parto” [2]. Assim, a  microcefalia “pode estar presente no nascimento ou pode desenvolver-se nos primeiros anos de vida.” [4].
 
Rapidamente explicado o conceito da microcefalia, passemos a refutar as alegações do movimento pró-aborto.
 
Ponto 1: O vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, provoca a Microcefalia.
Resposta: Embora o Ministério da Saúde tenha divulgado nota afirmando sobre a probabilidade da infecção por Zika gerar microcefalia [8], até o momento não há confirmação científica da correlação comprovada entre o vírus Zika e os casos de microcefalia. Conforme pesquisa realizada no ano de 2015, “mais estudos são necessários para confirmar a associação de microcefalia com infecção pelo vírus Zika durante a gravidez e para entender quaisquer outros resultados adversos da gravidez associadas com a infecção pelo vírus Zika” [5]. Da mesma forma afirma-se que “a prova circunstancial para uma vinculação com o Zika deve continuar em construção” [1], através do “desenvolvimento de melhores ferramentas de diagnósticos” [1], pois o vírus “Zika nunca havia sido ligado à microcefalia” [1] e que a recente correlação apenas ocorreu “pela explosão dos casos” [1] de microcefalia no Brasil, embora saiba-se “tão pouco sobre a história natural do vírus Zika, segundo Albert Ko, um especialista em doenças tropicais da Universidade de Yale e da Fundação Oswaldo Cruz, em Salvador” [1]. Sabe-se, ainda, que a microcefalia tem outras origens como “anomalias cromossômicas, infecções fetais durante a gravidez, desnutrição extrema, a exposição fetal ao álcool, drogas, ou alguns produtos químicos tóxicos” [2]. Assim, é descabido a proposição de recorrer ao aborto de fetos microcéfalos por mera vinculação ao vírus Zika, pois não há qualquer comprovação científica que a demonstre. Além disso, a microcefalia pode originar-se de outras causas, como álcool, drogas, produtos químicos, desnutrição, o que torna esvaziado e infrutífero o discurso pró-aborto. A melhor prevenção à microcefalia é o combate ao mosquito transmissor, a abstinência da gestante ao álcool, drogas e a um completo acompanhamento e suporte pré-natal. Propor o aborto com base na microcefalia é de uma desonestidade avassaladora, de uma incoerência cristalina, não podendo prosperar tal argumento falacioso.
 
Ponto 2: Microcefalia leva à mortalidade precoce.
Resposta: Ao contrário do que é alegado pelo movimento pró-aborto, não há como se afirmar com precisão o tempo de vida de criança microcéfala após o nascimento. Estudos científicos demonstram que “não há dados adequados que podem confirmar a expectativa de vida de um paciente com microcefalia. Enquanto alguns morrem dentro de um ano de seu nascimento, outros chegam a viver 35 anos ou até mais” [2]. Nesse mesmo sentido, observa-se que “há certamente muitas pessoas que sofrem de microcefalia que acabam vivendo até mais do que isso. Não existe uma idade específica que pode ser considerado o ponto de referência para o melhor cenário” [3]. No Brasil há relatos de indivíduos com microcefalia que viveram por muitos anos, com uma vida praticamente normal [7]. Assim, não se sustenta a alegação da necessidade de aborto nos casos de fetos microcéfalos por compatibilidade entre a doença e a mortalidade precoce.
 
Ponto 3: Inexistem meios de sobrevivência autônoma de crianças nascidas com microcefalia, portanto, abortar é pôr fim ao sofrimento da crianças e dos pais, que deverão arcar com os custos e os esforços para acompanhá-las durante toda a vida.
Resposta: A alegação é tão maligna quanto as anteriores. Refutando as desumanas alegações dos pró-abortistas, estudos demonstram que “algumas crianças afetadas pela microcefalia tendem a ter um desenvolvimento e inteligência normais, apesar do tamanho de sua cabeça ser consideravelmente menor para o seu sexo e idade” [2]. Estas crianças poderão ter “problemas com o equilíbrio e a coordenação, atrasos no desenvolvimento motor, desenvolvimento da fala, retardo mental, hiperatividade” [2], todos estes tratáveis mediante acompanhamento multidisciplinar, o que não inviabiliza a criança viver adequadamente. Como afirmado, e partindo-se do pressuposto que “algumas crianças com microcefalia terão inteligência normal” [4], o mais prudente é que todo o cuidado deva ser direcionando à gestante e ao feto acometido de microcefalia, que, após seu nascimento deve receber todo o tratamento disponível.
 
Refutadas as alegações dos pró-abortistas, observa-se que a sorrateira intenção deste movimento é a ampliação progressiva dos casos concretos passíveis de aborto para, em um segundo momento, pleitear a legalização ou descriminalização total do aborto, para quaisquer casos, em qualquer situação. Os pró-aborto contestam pequenas brechas para inserir novos casos, sempre que possível.
 
O aborto é a forma mais desleal de extinção da vida humana, pois se põem fim a ser sem qualquer direito de defesa, devendo a prática ser eliminada completamente da sociedade brasileira.
 
Referências:
[1] VOGEL, Gretchen. A race to explain Brazil's spike in birth defects. Science. 8 January 2016: Vol. 351  no. 6269  pp. 110-111. Acesso em: http://www.sciencemag.org/content/351/6269/110.short
[2] Microcephaly – Life Expectancy, Pictures, Definition, Treatment. Acesso em: http://medicaltreasure.com/microcephaly-life-expectancy-pictures-definition-treatment/
[3] Microcephaly Life Expectancy. 26 jun 2014. Acesso em: http://healthresearchfunding.org/microcephaly-life-expectancy/
[4] NINDS Microcephaly Information Page. 30 jun 2015. Acesso em: http://www.ninds.nih.gov/disorders/microcephaly/microcephaly.htm
[5] SCHULER-FACCINI, Lavinia; RIBEIRO, Erlane M.; FEITOSA, Ian M.L., et al. Possible Association Between Zika Virus Infection and Microcephaly — Brazil, 2015. MMWR. US Department of Health and Human Services/Centers for Disease Control and Prevention. Vol. 65. No. 3. January 29, 2016.

Brasil, 02 de fevereiro de 2016.

The gadget spec URL could not be found