AS VIAS FEMINISTAS


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Ampla parte do conjunto de ações das ideólogas feministas pós era do feminismo-marxista se fundamenta na lógica da barganha política. Antes, no período do feminismo de sufrágio (metade do século XIX, até as primeiras décadas do século XX) as ações eram enraizados no sufragismo como “face pública das reivindicações feministas” (MIGUEL; BIROLI, p. 93). No entanto, apercebeu-se o movimento feminista que o simples direito ao voto era insuficiente para a conquista de direitos e igualdade paritária entre homens e mulheres. Desse modo, por anos o movimento aperfeiçoou suas ações para, através do binômio insucessos-conquistas, pudesse ampliar o rol de direitos conquistados, mesmo sob derrotas parciais. A “arte” da conquista feminista é sorrateira e ardilosa, abocanhando os menos atentos às macro-intenções das feministas.

Como símbolo desta “arte” temos a total reengenharia social coletiva, que se deve perfazer, em uma de suas vertentes, através da manipulação do vocabulário e gramática cotidianamente utilizados pela sociedade local. A redefinição da pessoa como ser humano passa por uma obrigatória redefinição dos termos e palavras utilizados por tal indivíduo. A mudança no modo de falar facilita e escancara a porta de entrada do ser humano para a mudança de costumes, valores, ideais, certezas, crenças e atitudes daquele indivíduo modificado. Estruturar um discurso único e engessado é uma das facetas dessa reengenharia social. Para além do discurso, os termos que o compõe também deve ser enrijecidos.

A utilização dispensável e simultânea de termos duplos como TODOS/TODAS, por exemplo, é parte da reengenharia sócio-linguística característica do movimento feminista. As diversas fontes de pesquisa da história do feminismo demonstram, irrefutavelmente, o que ora se afirma. Quando o movimento anti-feminista absorve e utiliza estes inocentes termos em seus discursos, fortalece o movimento feminista em mais uma de suas conquistas. Do simplório uso de tais termos é que hoje apercebemos a utilização incoerente de termos como PRESIDENTA. Aos não-feministas recomenda-se a rejeição completa no uso de termos duplicados. Utilizar-se apenas TODOS não é desrespeitar o sexo feminino, importante e igualitário em sua importância à sociedade.

Em lado oposto, mas também inerente ao State Feminism (Feminismo de Estado), observa-se como parte do processo de reengenharia sócio-político do movimento feminista a peculiar exigência de banheiro neutro (ou unissex) em locais públicos ou privados. Esta via feminista é atualmente bastante discutida no meio político nacional como uma alternativa aos banheiros masculino-feminino e até como proteção às mulheres, que não mais terão o risco de utilizarem o banheiro feminismo em conjunto com travestis ou transgêneros do sexo masculino, por exemplo. Obviamente, as mulheres devem ser amplamente resguardas e protegidas de qualquer iminente mal social, mas esta não deve ser a solução utilizada para resolver tal problema.

Infelizmente, o que não se apercebe é que a “conquista” de banheiro neutro ou unissex em locais públicos e privados, como Escolas, Universidades e Shoppings, é a abertura da possibilidade futura (mesmo que remota!) de o banheiro neutro ou unissex ser a única opção de uso. Pensando com as feministas de gênero, se o banheiro neutro comporta qualquer identificação sexual para além do sexo masculino e feminino (mesmo que, biologicamente, inexistam mais que dois sexos), qual o empecilho deste banheiro também comportar homens e mulheres, tornado-se alternativa única para os dois sexos e as vertentes de gênero alegadas pelas feministas? Assim, seguindo a lógica feministas, teríamos ao invés de três banheiros, apenas um, que abarcaria a utilização por qualquer ser humano, incluindo as crianças. Percebam o risco social de tal feito!

Aceitar a possibilidade de banheiro neutro é, novamente, fortalecer o discurso feminista e aceitá-lo sem criticidade. É coadunar com um pequeno insucesso momentâneo dos não-feministas para ceder ao sucesso completo do feminismo, com o banheiro neutro. É solfejar a sinfonia perseguida pelas feministas, sem diferenciar as notas pronunciadas. Não se resolve o problema de segurança das mulheres em locais públicos criando-se uma terceira porta de acesso. 

Torna-se urgente que os contrários ao movimento feminista observem o que aqui foi exposto, pois esta sim, é a única via, o único acesso para enfraquecer o movimento feminista!

Referências:
[1] MIGUEL, Luis Felipe; BIROLI, Flávia. Feminismo e política: uma introdução. São Paulo: Boitempo: 2014.
[2] SCALA, Jorge. Ideologia de Gênero. São Paulo: Katechesis, 2015.

Brasil, 10 de abril de 2016.

Siga-nos nas mídias sociais: http://facebook.com/criticapoliticabrasil
The gadget spec URL could not be found