ATÉ QUANDO ESPERAR?


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Vivenciamos momento peculiar na História. Lógico que o tempo, por sua natureza progressiva, é sempre único. Não se repete. A História, por vezes, em casos estritamente semelhantes, amolda fatos presentes a cenário passado sutilmente próximos. Da correlação presente-passado, surgem lembranças nostálgicas ou abjetas Uma e/ou outra. Na realidade, o que se observa é, tirante as similitudes, que os tempos recentes, maculando os tempos vindouros, requerem ação drástica, seja civil ou militar.

Do ditado infundado que o tempo curará os revezes, conclui-se, indiretamente, que "as instituições continuam a funcionar". Antes de tudo, quando se observa o discurso de que as "instituições continuam a funcionar", precisamos especificar quais são essas "instituições" e o que se entende por "funcionar". Seriam o Legislativo, o Judiciário, o Executivo, a Sociedade Civil? Pois bem, se esses expoentes históricos são as "instituições" ou vertentes institucionais da abordagem, analisemos cada uma de per si, para concluirmos pelo adequado funcionamento ou não funcionamento destes pilares sociais, tendo-se por funcionamento a capacidade de mudança do status quo para um aceitável para grande maioria da população.

O status quo pode ser representado, dentre outros aspectos, por um cenário em que se destaca uma educação de péssima qualidade, priorizando o aprendizado de conteúdos nocivos às nossas crianças, adolescentes e adultos; um sistema de saúde falido; segurança pública fantasiosa, o que faz cada cidadão brasileiro procurar os resquícios meios de defesa, vivendo cada um sua guerra particular contra o outro e contra o Estado; a cultura completamente distorcida, vigorando "valores" não aceitos pela sociedade brasileira; relações sociais completamente desgastadas e enfraquecidas, após décadas de uma revolução silenciosa contrapondo e asfixiando qualquer "valor" social conservador, como a família, a igreja.

Sem grande esforço inicial, verificamos que o Legislativo, nos seus diversos níveis hierárquicos (federal, estadual ou municipal), está completamente comprometido. Distanciando-se da sua missão histórica que é a da representatividade, e inundado por casos de corrupção, Vereadores, Deputados (Estaduais e Federais), Senadores, pouco podem produzir para uma mudança radical e abrupta do atual cenário acima descrito. Parcela considerável dos parlamentares, por ignorância política e conjuntural, não se apercebe da realidade que se apresenta. Outros, cientes da escuridão, já não têm forças para reagir. Nossa representatividade já não existe em força o suficiente para derrotarmos o sorrateiro inimigo. Nosso exército conservador leverá gerações para se fortalecer, dando espaço, nesse ínterim, para a continuidade desconstrutivista e relativista que nos assoma.

O Executivo, com suas amarras institucionais, tão menos ainda pode conciliar nos esforços múltiplos um fio de esperança para a alteração do cenário. Embora sob nova chefia, alia-se à cúpula do novo governo partido-irmão (PSDB) do grupo político responsável por grande parte da crise sistêmica que presenciamos. O PT, em todas as suas atrocidades, não é páreo para as atrocidades a serem continuadas pelo PSDB, caso assuma o poder. O PDMB, em sua régia interinidade, não contrapõe efetivamente as linhas auxiliares da esquerda, que aguardam pacientemente a oportunidade para apresentar suas garras, aprofundando ainda mais a crise atual, em todos os seus aspectos.

A sociedade civil, da mesma forma, mesmo com suas incalculáveis boas intenções, poucas forças tem na atualidade para arregimentar-se o suficiente em vista de uma sonora mudança do cenário político-social. Alimentado por um perfil cívico dos cidadãos brasileiros, as poucas demonstrações sociais de conjugação de esforços, nas manifestações ocorridas desde de 2013, não foram suficientes para acordar o resto da população adormecida. Enquanto não se acirram os problemas na sua própria casa, mesmo que presentes no vizinho de muro ou porta, o cidadão, em sua maioria, permanece inerte. A inércia quase generalizada é conhecida e entendida pelas forças que não desejam qualquer mudança. Ponto fraco à sociedade, a total incapacidade de união duradoura demonstra que a sociedade civil descarta-se como aspecto considerável e viável para a mudança pretendida.

Por fim, mas não menos importante, o Judiciário. Não obstante ser o reduto final da esperança nacional, ao menos em sua base de atuação, tem em sua cúpula ditatorial todas as características ideológicas afeitas aos que lhe alçaram ao poder. De nada adianta o bom trabalho de primeira instância se, da apreciação em sua última instância, o Judiciário brasileiro se alinha às expectativas do que foram defenestrados do poder. Cria-se a ilusão da justiça, onde se vê apenas a justiça da ilusão, de óptica, vale lembrar. Em seu aparelhamento superior, inatingível, inamovível, intocável, a cúpula do Judiciário brasileiro torna-se o reduto salvador do projeto de poder perpetuado pelo  Foro de São Paulo.

Expostos todos os motivos, até quando esperaremos por uma mudança mais efetiva da atual realidade brasileira? Até lá, o cenário caótico contemplará aspectos irreversíveis, enrijecidos, não havendo mais tempo para uma revigorante reviravolta moral.

A sociedade brasileira conservadora, honesta, cristã, familiar, restará aos pedaços, cujos cacos serão difíceis de remontar.

Brasil, 30 de junho de 2016.

Siga-nos nas mídias sociais: http://facebook.com/criticapoliticabrasil
The gadget spec URL could not be found