AUTONOMIA NÃO É IDEOLOGIA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

N
otícia recente divulgada em raríssimos meios de comunicação informou que o Presidente Michel Temer interferiu inapropriadamente na autonomia da Universidade Federal do ABC, em Santo André, na Grande São Paulo. Segundo a reportagem, Temer solicitou ao Ministro da Educação, Mendonça Filho, providências em relação a um Edital Público da Universidade para a contratação de professores. 


De acordo com o Edital, haveria a "contratação de professores para a área de relações étnico-raciais no curso da universidade, que tem no programa temas como diáspora negra, direitos humanos e racismo, e conexões da branquidade e dos regimes racistas: apartheid, nazismo, sionismo". Segundo a reportagem, tal contratação desagradou parcela burguesa da sociedade patriarcal-conservadora, pois capitaneada, segundo o site, pelas ideias contidas no Projeto Escola Sem Partido. Vamos analisar o caso.

O Projeto denominado Escola Sem Partido [2], como sua principal finalidade está a de tentar estancar o ensino ideológico nas salas de aulas, em qualquer nível educacional. Aos que estudam o tema educação ou que acompanham o cenário político-social nos últimos 20 (vinte) anos, sabem que as Escolas e Universidades brasileiras são atualmente "dominadas" por ampla maioria de professores ideologicamente situados à esquerda, tanto na política, como no social, na cultura, nas artes, no econômico.

Uma rápida verificação dos docentes nacionais, sem maiores aprofundamentos estatísticos, confirma-se o que aqui se afirma. Esse alastramento docente-ideológico é fruto de uma transição mal-elaborada pelo Regime Militar, o que  permitiu a infiltração ideológica das principais cátedras brasileiras, formando um emaranhado de professores ideologicamente doutrinados, em ideologizados cursos de Pedagogia. O "erro" operacional dos militares foi muito menos provocado pela necessária abertura democrática do que pelo afrouxamento da rigidez imposta aos comunistas. Ao final do período de 21 (vinte e um) anos de regime militar, alargaram-se as brechas em diversos setores da educação brasileira, desde a produção de material literário sobre o período militar bem como os espaços sociais de atuação de professores, intelectuais e outros tantos formadores de opinião que retornavam do exílio, em sua quase totalidade com perfil comunista.

O que pretende o Escola Sem Partido é simplesmente igualar as condições de atuação de professores nas salas de aula, sem dar preferência a professores conservadores, liberais ou socialistas. Não se pretende ensinar somente os preceitos e valores conservadores. Pelo contrário! As ideias e a história do comunismo, nazismo, da escravidão, dos índios, por exemplo, serão apresentadas aos alunos, mas não somente como a única opção possível. Não há qualquer ataque à autonomia universitária. O que não pode permanecer em vigor é um Estado-Docente que influencia os alunos nos temas acima apresentados sem dar maiores nuances da realidade dos fatos. Adicionalmente, temas opostos aos ora especificados, como valores conservadores, família, casamento, monogamia, respeito dificilmente são abordados nas atuais salas de aula, sem obrigatoriamente serem transferidos desprovidos de uma carga negativa, pejorativa, ultrapassada, reacionária, nefasta.

A balança atual da educação brasileira está pesando à esquerda e é esta mesma esquerda que não quer se desfazer de sua hegemonia da sala de aula. Qual o motivo para isto? Se não há doutrinação ideológica, como afirmam os esquerdistas; se não se privilegiam ideologias ou partidos políticos nas escolas, qual a razão de não se implantar o que dispõe o Projeto Escola Sem Partido? Trazer à opinião pública que não há meios de uma escola ser neutra, sem ideologia, como o faz a mídia esquerdista, é desinformar a sociedade brasileira. A escola pode permanecer neutra na abordagem de uma infinidade de temas. Neutro não se confunde com nulidade de aprendizado e ensino. Uma escola ideologicamente neutra jamais será uma escola nula de ensinamentos. 

Ao contrário do que alegam os que sustentam uma escola doutrinante, as informações serão apresentadas pelos professores não com um viés ideológico, como hoje se faz, mas com uma possibilidade de abordagem das outras perspectivas existentes. Desse modo, abre-se a possibilidade ao aluno de escolher quais valores adotar em sua vida, perante a sociedade, no seu cotidiano, o que não ocorre nos dias atuais, onde apenas uma visão do tema é apresentada, limitando o aluno na escolha do que aspecto que ele deve conhecer sobre o tema. Nas escolas brasileiras, em tempos atuais, formata-se a carcaça do aluno, sem preencher-lhe o conteúdo necessário para se formar um cidadão. Precisamos de menos Paulo Freire nas Escolas, com sua equivocada educação bancária e problematizadora, colocando o país sempre nas últimas posições educacionais em comparação a outros países em desenvolvimento e países desenvolvidos.

Alegar que o Projeto Escola Sem Partido poderá prejudicar os índices de aprendizado dos alunos também soa incoerente com a atual realidade da educação brasileira, situada nas últimas posições em qualidade de ensino e aprendizagem de matemática e ciências [3]. Os professores não adeptos à doutrinação ideológica têm ampla capacidade de lecionar sobre qualquer tema, ensinando e discutindo todos os aspectos de determinado tema. Não haverá que se falar em restrição à liberdade de expressão de professores ou de omissão do Estado na educação de crianças, na atualidade as maiores vítimas de um sistema educacional gerador de massas de manobra ideológica, mas com irrisório conteúdo interiorizado.

Juntando os Governos Esquerdistas de PSDB e PT somam-se mais de 20 (vinte) anos de trabalho (sic!) educacional para que a eterna e péssima situação do ensino fosse modificada. Mas o que foi feito? O que se observa, na atualidade dos fatos, é justamente que não houve qualquer reversão, mas sim uma piora do ensino básico, fundamental, médio e universitário, formando quantidade expressiva de analfabetos funcionais.

O que precisamos, urgentemente, é equilibrar os conteúdos e a forma de como estes são repassados às nossas crianças, pois hoje estas são doutrinadas sobre aborto, ideologia de gênero, promiscuidade, poligamia. 

O Projeto Escola Sem Partido é um sopro de esperança aos nossos educandos e educadores, para que formemos crianças pensadoras e capazes de raciocinar sem a limitação ideológica do Estado.

Referências:

Brasil, 20 de julho de 2016.

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