COLETIVO E CULTURA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

O brasileiro, peculiarmente, vivencia momento de relativismos e mansidão moral. Relativizam-se os valores; afrouxam-se os confrontos de ideias. É o cenário da espetaculização das ofensas, da vitimização generalizada. Qualquer desavença em menor grau é tratada com impacto nuclear. Em tempo em que mais se ouvem barbaridades, a simples exposição natural de contraposições se torna ato falho, impróprio, incorreto, desnecessário, desprovido de razoabilidade, incabível. O homem-brasileiro se torna um ser podado, enjaulado e limitado em seu pensar. Estamos sob uma ditadura do pensamento.

Como meio de contornar parcialmente o cárcere intelectual em que nos enjaulamos, por vontade própria ou não, ideologicamente (e de forma pensada, por mais incrível que nos pareça) deram-se novos significados a dois significantes da língua portuguesa: coletivo e cultura. 

Utilizados em praticamente todos os meios de comunicação, estas serenas e mansas palavras tornam-se objeto de sutil propagação da terminologia ideológica esquerdista. Silenciosamente, o uso desses termos se alastra pela sociedade. Inadvertidamente, a população conservadora e liberal se utiliza destas palavras para propagar ideia contrária às suas premissas, por vezes desconhecendo o real sentido e finalidade de tal uso.

Na mídia nacional é comum se observar notícias apresentando grupos de pessoas realizando ações sociais, políticas, religiosas. Antes denominadas de "grupos", agora são tratadas como "coletivos". Este termo, amplamente utilizado por esquerdistas, patologicamente adentrou ao vocabulário dos direitistas. Sem perceber, o termo é utilizado indiscriminadamente por conservadores e liberais. Coletivo, como sinônimo de grupo, naturalmente é termo utilizável da língua pátria. No entanto, o uso reiterado deste termo não ocorre despropositadamente.

A finalidade do termo "coletivo" é rotular qualquer conglomerado de pessoas como altruístas e preocupadas com seus pares. Fora deste eixo, qualquer agrupamento poderá ser taxado de preconceituoso, intolerante. Dessa forma, utilizando o termo "coletivo" para designar seus próprios grupos atuantes, a esquerda, indiretamente, segrega os demais grupos (entre eles de cidadãos de bem, honestos, altruístas) em espaço que é amplamente malquisto pela sociedade. Assim, colocando-se forçadamente em situação oposta aos "coletivos", tudo o que não estiver em seu escopo (escopo este manipulado pela esquerda) será mal visto pela sociedade. A tática estará concretizada, fazendo dos maus os bons, e dos bons os maus, pelo simples jogo de palavras. Ao utilizarmos desse termo, fortalecemos taxativamente nossa segregação social.

"Cultura" é outro termo mais recentemente utilizado com significado um tanto quanto diverso da exegese originária da palavra. Cultura, antropologicamente deve ser entendido como o conjunto complexo de códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, tal como se desenvolvem em uma sociedade ou grupo específico, e que se manifestam em praticamente todos os aspectos da vida: modos de sobrevivência, normas de comportamento, crenças, instituições, valores espirituais etc. Ainda segundo o Dicionário Aurélio, "cultura" deve ser entendido como o refinamento de hábitos, modos ou gostos.

Pois bem. Ao termo "cultura" estão agregando outros termos, dando-se significado não pertinente à conjugação dos dois vocábulos. Assim, "cultura do estupro" é, literalmente, um estupro semântico. Inexiste cultura do estupro neste país. Não há norma de comportamento, crença, instituições, valores ou padrões aceitos pela sociedade em face do crime de estupro. A cunhagem do termo tem, entre suas finalidades, a de obrigar os discordantes a refutar, laboriosamente, a inexistência de uma cultura do estupro. A fraude ardilosa da esquerda foi bem plantada, pois desconstruir duas singelas palavras conjugadas requer um arcabouço intelectual considerável. Da mesma forma ocorre quando utilizamos outros termos agregados à palavra cultura, tais como: cultura da mulher; cultura do suicídio; cultura do preconceito.

Para cada nova cultura criada, pela esquerda e pela direita (inacreditavelmente!), ações enérgicas desumanas são exigidas de conservadores e liberais para confrontar o novo significado surgido. Assim, da cultura da mulher, por exemplo, deve-se prover uma cultura do homem, dividindo e segregando ainda mais a sociedade. A cultura é humana, aplicando-se indistintamente ao homem e à mulher. Quando se cogita uma cultura da mulher, todos os aspectos dessa "cultura", como por exemplo, a gravidez, ter-se-á como de exclusiva tratativa e preocupação das mulheres, o que não é verdade. Nesta segregação, prato farto às feministas, ao invés de se unificar para fortalecer, resta uma desproteção perigosa das mulheres.

Parece pouco ou mal compreendido que o simples uso desses termos e desta metodologia esquerdista possa provocar mudança social profunda. O que se observa, no entanto, é que o uso do termo abstrato gênero, como exemplo, é uma das maiores provas das ações esquerdistas na busca de padronização linguística como meio de alcançar determinado objetivo político-social.

Desse modo, os que lutam contra as ações, finalidades, premissas e preceitos desta linha de pensamento ideológico, devem se abster, por completo, de utilizar dos mesmos meios apresentados pelos esquerdistas, mesmo que para contrapor o “discurso do engano”. Assim, o uso do termo coletivo deve ser substituído pelo uso do termo grupo. Da mesma forma, não devemos criar qualquer "cultura" onde inexistem todas as características que lhe proporcionem a estatura de uma verdadeira cultura.

Nesse jogo dual, perdem os conservadores, que na simplificação das ideias têm o seu maior trunfo. Deixemos a tarefa do engano, do engodo, da complicação, do entrave e do embaraço aos defensores comuno-socialistas, doutores nesta arte.

Brasil, 08 de junho de 2016.

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