ERNESTO GUEVARA: EL CHANCHO

Já se afirmou neste espaço, ainda subsistente em uma "democracia" disfarçada de totalitarismo, que o enfraquecimento e esvaziamento de um processo ideológico em construção/afirmação num país passa pela desconstrução intelectual e fundamentada das doutrinas que embasam todo o processo. Mas não só isso: é preciso desconstruir, aniquilar e desmistificar os personagens que originaram estas doutrinas e os que delas se utilizaram para amparo no projeto. É válido ressaltar que este trabalho deve ser realizado repetida e constantemente, a cada nova publicação, discurso ideológico ou tentativa de rejuvenescimento das raízes doutrinárias, de modo a se rebater cada movimento-parte do projeto maior. Não se pode deixar revel qualquer nova intenção destes personagens em fundir, nas mentes individuais e nos semblantes coletivos, os métodos e propostas suscitados. Deve-se sufocar intelectualmente o simples respirar progressista, mesmo que o "sufocamento" seja repetido incansavelmente. Omitir-se é dar espaço ao adversário. Assim sendo, na desconstrução dos mitos, este artigo corrobora ao trabalho de desmistificação de um deles: Ernesto (Che) Guevara.

Subjetivamente Ernesto Guevara é, historicamente, relatado como um revolucionário caridoso, humano, benevolente, generoso, misericordioso com o povo cubano e da América Latina. Covardemente, omitem seus historiadores que “tal mito é completamente estranho à nossa cultura, sendo imposto de forma artificial como representante de um elevado ideal, ao mesmo tempo em que se oculta seu projeto político totalitário subjacente [] mas surge de uma experiência da vanguarda política revolucionária, em sua batalha cruenta pela tomada do poder” (FONTOVA, p. 14). Toda esta aura de pureza e atitudes das mais genuínas desse indivíduo são resultado do desconhecimento da verdadeira história de Guevara. A “ignorância, com efeito, explica muito da idolatria de Che Guevara. Mas engodo e muita fantasia também o explicam, tudo alimentado de antiamericanismo implícito ou explícito” (FONTOVA, p. 41). Conforme afirmação de Fontova (p. 157), “muita gente engoliu indiscriminadamente a mítica história de que Che Guevara fosse uma espécie de santo defensor dos pobres na América Latina. Na verdade, ele não passava de um oportunista, sedento de poder e de ganhos materiais, tal como muitas personalidades comunistas que o precederam e sucederam no decorrer da história”.  Em outros termos: “a pesquisa histórica foi em geral envenenada, e o mito de Che e sua guerrilha heróica construído” (FONTOVA, p. 85).

Na seara da guerrilha, o mesmo fracasso, embora seus atos de “heroísmo” sejam tão propagandeados pelo mundo, mesmo que inverídicos e falseados da realidade. Na verdade, “Che não sabia ler um mapa nem se guiar por bússola. Ele e seu grupo perderam-se nas florestas durante meses e atiravam-se uns nos outros achando que encontravam inimigos. Ficaram sem alimentos e tiveram que matar seus animais de carga para não morrer de fome.” (FONTOVA, p. 17). Em batalhas na tão agraciada invasão da ilha cubana, “ao tentar organizar o ataque contra as tropas de Batista em 1958, Che admitiu ’não saber coisa nenhuma’ de estratégia militar” (FONTOVA, p. 38). Conforme afirmam os verdadeiros historiados de Guevara, “seu fracasso mais estrondoso foi precisamente como guerrilheiro. Não há registro nenhum de qualquer façanha sua em batalhas de verdade” (FONTOVA, p. 81).

O homem e guerrilheiro desapegado de bens materiais e condolente com o sofrimento do povo cubano e alguns outros da América Latina é uma inverídica construção secular patrocinada por interesses escusos. Guevara era sequioso por riqueza, poder, mesmo que essa sede pela fortuna e opulência desencadeasse uma afronta à imensa massa populacional cubana desprovida do mínimo existencial para sua sobrevivência. A prova material da avidez e insaciabilidade de Guevara pela riqueza é comprovada quando “uma semana depois de entrar em Havana o seu abnegado Che Guevara assaltou o que era provavelmente a casa mais luxuosa de Cuba e se mudou para lá depois que o proprietário legal fugiu com a família para escapar do pelotão de fuzilamento” (FONTOVA, p. 31). Desfaz-se o mito honrado de Guevara, usurpador e larápio dos bens alheios e de inocentes. Como declara Fontova (p. 29), “aquele homem em Diários da Motocicleta, que amava os leprosos tal como Jesus, que atravessou um rio sob risco de vida para mostrar sua compaixão por eles, é o homem que declarou que ‘um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar movida apenas pelo ódio”.

Guevara e os irmãos Castros foram os responsáveis diretos pela invasão cubana na década de 50 do século passado, depondo o General Batista, e iniciando, a partir dali, um sanguinário regime de morte, fome, roubos, desapropriações e restrição de liberdades. Muitos cubanos, aterrorizados com o novo regime ditatorial e autoritário que se formava, tentaram fugir do país. “Estima-se que oitenta mil cubanos morreram de sede, fadiga, afogamento, ou destroçados por tubarões. Morreram tentando fugir de Che Guevara e seu legado” (FONTOVA, p. 30). Segundo “Canek Sánchez Guevara [] neto do próprio Che [] ‘Em Cuba, liberdade não existe’, disse Canek em entrevista à revista mexicana Proceso. ‘O regime exige submissão e obediência o regime persegue hippies, homossexuais, livre-pensadores e poetas Eles estão em constante vigilância, controle e repressão” (FONTOVA, p. 63). Aos jovens da modernidade, "descolados" e sempre contrários à moral posta, o alerta: o tão idolatrado regime Cubano considera, até hoje, “o homossexualismo um crime” (FONTOVA, p. 30). Para os mesmos idólatras ignorantes de Guevara, em Cuba da época da invasão, “o campo para homossexuais ostentava os dizeres ‘O Trabalho os Transformará em Homens’ sobre o portão principal” (FONTOVA, p. 167), semelhante aos dizeres na entrada do campo de concentração de Auschwitz, implantado pelo regime Nazista, que dizimou milhões de vidas humanas.

Sobre os campos de concentração implantados no regime cubano por Guevara e os irmãos Castro, sabe-se que “as forças castristas arrancaram centenas de milhares de cubanos de suas terras ancestrais e, sob a mira das metralhadoras, apinharam-nos em campos de concentração localizados no extremo oposto do país” (FONTOVA, p. 210). Nestes campos, Fontova (p. 168) afirma que viu “garotos mortos à bala simplesmente porque não foram capazes de suportar a carga de trabalho. Você tenta explicar essas coisas à gente desse país e ninguém acredita. Eles simplesmente não conseguem imaginar esses horrores a apenas cem quilômetros de distância – muito menos quando foram conduzidos por homens que grande parte da imprensa internacional considera como reformistas bem-intencionados”. Ernesto Guevara matou, em campos de concentração e nos paredões de fuzilamento, milhares de adolescentes; destruiu famílias; aniquilou gerações; praticou crimes horrendos e equiparáveis aos massacres ocorridos em guerra. Mesmo assim, continua sendo reverenciado por desconhecedores da realidade.

Com a mesma perversidade e antes de matar milhares de cidadãos, seja fuzilados ou nos campos de concentração, Guevara demonstrava toda a sua crueldade: “as inumeráveis vítimas de Che costumam lembra-lo como alguém que adorava reduzir as pessoas a mais completa impotência – fazendo com que se humilhassem para tentar salvar a própria vida” (FONTOVA, p. 72). Guevara, o "clemente", afirmava que “para executar um homem, não precisamos de provas que o inculpem. Precisamos tão-só de provas de que sua execução é necessária. É simples” (FONTOVA, p. 144). Ainda segundo Guevara, “nossa missão é assegurar as garantias legais [] é levar a Revolução adiante. Para tanto, é preciso instituir a pedagogia do paredão” (FONTOVA, p. 144).

Mas antes de "simplesmente" executá-los no "paredão", Guevara elaborou uma forma de obter lucro com os prisioneiros e "trabalhadores" dos campos de concentração, afora seus trabalhos forçados: vender, para outros regimes comunistas, o sangue de seus prisioneiros e "trabalhadores", retirados antes da execução. Isto mesmo: comércio de sangue de executados, um crime de lesa-humanidade, tal qual crime de guerra.

“O comércio de sangue da Cuba comunista [] não recebeu qualquer atenção da grande imprensa e dos ‘estudiosos’ em geral” (FONTOVA, p. 134), embora a “Dra. Virginia Mirabal Quesada, que fugira de Cuba pelo México depois de testemunhar, horrorizada, uma dessas extrações. ‘É absolutamente verdade’, ela disse à agência de informação dos Estados Unidos. ‘Antes de serem fuzilados, os homens são levados a uma pequena sala de primeiros socorros em La Cabaña, onde os comunistas lhes tiram mais ou menos um quarto de sangue – que, então, é armazenado num banco apropriado. Uma parte dele é enviada para o Vietnã do Norte” (FONTOVA, p. 133). Estes fatos foram comprovados por órgãos internacionais: “em 7 de abril de 1967, a comissão de direitos humanos da OEA finalmente publicou um relatório detalhado sobre a longa prática de vampirismo da humanística Revolução Cubana. O relatório estava baseado em dúzias de testemunhas oculares que desertaram o país” (FONTOVA, p. 134). Ao final de todas estas e outras atrocidades, o “Cuba Archive Project, documentando meticulosamente todas as mortes causadas pela revolução cubana, estimam um total mínimo de 107.805 mortes inflingidas pelo regime castrista” (FONTOVA, p. 151).

As truculências atribuídas a Guevara não terminam nos fatos acima narrados. Outros exemplos devem servir como aviso aos trabalhadores progressistas, muitos deles de sindicatos, que defendem como bondosas as ações de seu ídolo para com o povo cubano. Pois para surpresa, saibam que Guevara “instituiu um ‘avançado’ programa de trabalho ‘voluntário’ durante os fins de semana, além das sessenta e quatro horas semanais, que levou operariado cubano à exaustão” (FONTOVA, p. 166). Este mesmo "guerrilheiro", “arruinou a primeira economia da América Latina com o intuito de impedir o desenvolvimento de qualquer instância de poder que não dependesse exclusivamente dele” (FONTOVA, p. 215). Ernesto Guevara explorou os trabalhadores cubanos, através da imposição de mais de 12 horas de trabalho diário, mas ainda assim o “guerrilheiro da esperança” tem seu rosto estampado em bandeiras hasteadas em passeatas de trabalhadores. Do mesmo modo, ainda se encontram na atualidade camisas com a imagem de Guevara sendo utilizadas por seres desconhecedores da real história do sanguinário, assassino, rapinante e fracassado guerrilheiro, que em carta enviada a seu pai afirmava: “papai, eu queria confessar que agora eu descobri que realmente gosto de matar” (FONTOVA, p. 121).

Ostentar e estampar o rosto de Ernesto Guevara em qualquer indumentária é comparável a vangloriar a imagem de Hitler em camisetas ou bandeiras. Ambos tinham propósitos semelhantes, de formação do "novo homem". Hitler executou milhões de judeus. Guevara, em busca do "novo homem" latino, mandou executar milhares de cubanos, matando vários deles com sua própria pistola, com “total desprezo pelo ser humano concreto, [...] onde qualquer custo em vidas vale o nascimento do novo homem” (FONTOVA, p. 16).

Guevara matou, executou, roubou, desapropriou e humilhou milhares de outros seres humanos, entretanto ainda é digno de idolatria imbecilizada e “permanece vivo em parte porque teve Fidel Castro como assessor de imprensa” (FONTOVA, p. 39).

A desconstrução diária deste sórdido indivíduo é obrigação de todo ser humano contrário aos atos praticados por Guevara, pois o mito sob este ser foi ampliado pela “ocultação histórica por parte de intelectuais, falsos ministérios de falsos padres, covardia moral e raquitismo temático de cineastas e artistas bem como a hipocrisia criminosa de professores, todos, no mais das vezes, utilizando-se de muito dinheiro público via órgãos de educação e cultura” (FONTOVA, p. 18).

O mito Guevara deve ser extirpado de qualquer deferência, respeito ou consideração humana.

“Se os cubanos-americanos impressionam por parecerem muito inflamados ou, em última instância, meios loucos até, há uma razão para tanto. Praticamente todos os dias, ligamos a televisão ou saímos na rua e eis que vemos justamente a imagem do homem que treinou a polícia secreta para amar nossos irmãos – milhares de homens, mulheres e crianças. Este homem cometeu grande parte desses assassinatos com suas próprias mãos. E não obstante nós os vemos celebrado por aí como a quintessência da humanidade, do progresso e da compaixão. Ele homem, este assassino, é Ernesto ‘Che’ Guevara” (FONTOVA, p. 11).

Referências: 
FONTOVA, Humberto. O verdadeiro Che Guevara: e os idiotas úteis que o idolatram. São Paulo: É Realizações, 2009.

Brasil, 04 de dezembro de 2015.

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