O FEMINISMO EM ORDEM


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Enganam-se observadores e estudiosos que insistem em estacionar o movimento feminista nos idos do fim do Século XIX e início do Século XX. Enganam-se, em dobro, os que repetem o equívoco de imaginar e construir mentalmente o movimento feminista como um punhado de ativistas em busca de direitos das mulheres, sejam estas crianças, jovens ou adolescentes. Não caros leitores! O movimento feminista é um movimento social intersetorial que “confronta as desigualdades” (MIGUEL; BIROLI, p. 147), em sentido amplo. Confrontar as desigualdades não é apenas pleitear por direitos das mulheres, mas, primordialmente, suprimir direitos dos homens, equivalendo as diferenças biológicas inatas dos dois únicos sexos existentes. 

O movimento feminista é um clássico movimento social com todas as características de movimento social de luta de classes, na melhor utopia comunista. Do lado opressor, os homens. Como oprimidas, as mulheres. Ainda, o movimento tem uma base de ação coordenada e organizada e mesmo sem praticamente nada produzir como movimento, nos melhores modos capitalistas, possui recursos abundantes para produzir conhecimento e realizar ações a nível mundial. Estes mesmos recursos são o bastante suficientes para a execução de eventos diversos, desde palestras, encontros, passeatas. Há, então, o fundamento conceitual do movimento (luta de classes/sexos), há seus integrantes, recursos financeiros e ações. Pensar o feminismo não pode fugir de o pensar como movimento social. 

Delineado esse ponto, é importante observar que embora pareça estranho, o combate às desigualdades das mulheres, pelo movimento feminista, vai para além da desigualdade natural entre o sexo masculino e o sexo feminino. Engloba outras demandas, em variadas vertentes sociais, conhecidas no dialeto feminista como posições sociais. É o que se observa na seguinte passagem: “a confrontação radical das desigualdades de gênero, de uma forma que considere igualmente as diferentes posições das mulheres, parece implicar a confrontação de outras formas de desigualdade, como as de raça e de classe” (MIGUEL; BIROLI, p. 148). Desdobra-se assim o movimento feminista em feminismo das negras; feminismo das minorias; feminismo de gênero; feminismo abortista; feminismo urbano; feminismo rural; feminismo político, dentre outros.

Para as próprias feministas, “a redução do feminismo a ‘um estilo de vida’, a ‘uma identidade pré-fabricada’, à disposição para a afirmação de modos de existência alternativos, também colabora para acomodar bandeiras do feminismo ao status quo. Com isso, ele perde justamente seu potencial político de enfrentamento da opressão e da dominação” (MIGUEL; BIROLI, p. 149). Assim, para o movimento social feminista, enquadrar a luta feminista como embate em relação às diferenças entre os sexos é menosprezar a potencialidade do movimento, que deve atuar fortemente em todas as áreas possíveis, sejam estas pertinentes ou não por mulheres. A finalidade do movimento é a quebra de todos os paradigmas tradicionais, a desestruturação social completa, a desestabilização e destruição da família, berço originário de sustenção do Estado.

Principalmente sobre o feminismo político, como expoente destacado do movimento feminista, este transcende em amplitude todas as outras variantes do movimento feminista. Incluir o feminismo na política, em todos os setores e níveis sociais, é garantir que as ações feministas trafeguem com a naturalidade (mesmo que inexistente!) por todas as esferas sociais. Desse modo, “o feminismo não se debruça sobre uma questão localizada” (MIGUEL; BIROLI, p. 8).

Neste mesmo âmbito político, o movimento feminista contesta a autonomia masculina não apenas na esfera pública, mas também na esfera privada, o que o torna extremamente danoso à sociedade. É o que se observa hoje no feminismo de gênero, ao disseminar sua cultura de ideologia de gênero nas famílias. A esfera privada, como fim político precípuo do feminismo político, é âmbito de atuação que, se não freado, terminará por abolir qualquer resquício da família tradicional.

Alertados os leitores, mesmo que introdutoriamente, sobre a existência das diversas linhagens do movimento feminista, resta à sociedade brasileira identificá-las e combatê-las, seja no campo intelectual, seja no embate político. Pragmaticamente, a hostilização ao movimento feminista perpassa pela negação às cotas políticas; aos inexistentes direitos reprodutivos e sexuais das mulheres; às diferenciações por classe ou raça; à ideologia de gênero nas escolas; à intromissão das ideias feministas na esfera privada das decisões familiares, incluindo a maternidade.

Somente uma ampla e forte ação das mulheres não feministas, tanto na esfera privada (família, casamento) como na esfera pública (política) poderá reprimir as ações devastadoras feministas já em curso.

Referências:
[1] MIGUEL, Luis Felipe; BIROLI, Flávia. Feminismo e política: uma introdução. São Paulo: Boitempo: 2014.

Brasil, 14 de abril de 2016.

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