O INCOERENTE PRECONCEITO NO GÊNERO FLUIDO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

D ois acontecimentos recentes e que figuram conexos ante o propósito confucionista da esquerda dominante incomodou o que vos escreve. O primeiro, e mais explícito, foi a cena de nudez e sexo homossexual masculino projetada na Rede Globo [1], em novela de horário nobre, com amplo alcance de famílias e lares brasileiros. O segundo, a morte de um transexual, com suspeita de assassínio por menores de idade [2]. Os dois fatos, afastados em sua materialidade, têm proximidade e vinculação perplexas em face do impacto social dos acontecimentos. E mais: a origem da confusão e da controvérsia é a mesma. É o que veremos.

Sobre a cena homossexual praticamente explícita, em horário nobre, esta tem única e exclusiva finalidade, qual seja, a de "quebrar as barreiras da heternormatividade", impondo aos que desejam ou não a homossexualidade como escolha inclusa no padrão de sexualidade. Em outros termos, a tentativa, não muito recente, é a de quebrar os laços sociais conservadores obrigando a aceitação de tal conduta como inerente à biologia do ser humano, infundindo-a numa cultura que não lhe é característica.

Por trás de um movimento gayzista-feminista, a finalidade é a reinvenção dos parâmetros sociais de normatividade, ou seja, do que deve ser considerado normal socialmente ou não. Procura-se também inverter a moral social, antes conservadora, postulante de relações heterossexuais como natural ao ser humano biologicamente diferente, para uma "nova" moral em que a indiferença dos sexos biológicos permite o comportamento verificado na cena de sexo da novela. Ressalte-se: a homossexualidade deve ser respeitada; a explicitação, não! Assim, da necessidade de normalizar algo imoral, gera-se a balbúrdia nas famílias; nos pais que têm que se desdobrar para explicar aos filhos o fato. Estão instaladas a confusão e a desestabilização social.

Notem que a mesma confusão social e familiar gerada no caso da cena homossexual do enredo, aplica-se ao segundo acontecimento. Lembremos que os movimentos que capitaneiam esse tipo de acontecimento em rede nacional televisiva buscam padronizar comportamento não aceito por ampla maioria da sociedade. Nesta perspectiva, infunde-se a confusão social das famílias. Assim, este mesmo grupo, ante a confusão estabelecida, terá dificuldade de lidar com o segundo fato apresentado neste artigo.

No segundo fato de repercussão nacional, um transexual foi morto por criminosos, menores de idade. Noticia-se como motivador do crime o preconceito arraigado de uma sociedade burguesa-patriarcal, responsável direto pelo homicídio do indivíduo acima. Neste ponto, começa a surgir a incoerência.

Segundo o movimento gay-feminista, a questão sexual antes dividida (masculino e feminino) agora é múltipla mas ao mesmo tempo una, isto é, embora em multiplicidade de possibilidades, normativamente é única e fluida, sem diferença entre as escolhas em face da sexualidade/opção sexual individual. Todas as escolhas estão no espectro da fluidez da sexualidade. Assim, qualquer variante da sexualidade deve ser caracterizada como fluida ou neutra.

Ora, seguindo esta linha, embora múltiplas as variações do sexo (denominada indevidamente de gênero), a norma sexual padrão, aceitável e moral deve ser única, englobando todas as múltiplas variações. Desse modo, se todas as variações são posicionadas sobre o mesmo tipo sexual, qual seja, fluido, sem distinção de gênero, não há espaço ao preconceito! Se todos são fluidos, como se fundamenta o preconceito de gênero? Seria um preconceito do gênero fluido em face do gênero fluido? Percebe-se incabível tal conclusão.

Se a sexualidade é múltipla (fluida) mas o padrão estrutural que a rege é igual, ou seja, um gênero fluido, é descabido se pensar em preconceito, pois os assassinos podem, ao momento do crime se entenderem do mesmo gênero fluido da vítima. O preconceito só floresce na diferença, seja de raça, cor, credo, sexo, nacionalidade. Se não há qualquer diferença no gênero para o caso citado, ou seja, se todos estão sob a mesma categoria de gênero, o gênero fluido, vítima e assassinos, como existir preconceito no homicídio citado? Desse modo, sob o gênero fluido, liquida-se a possibilidade de preconceito, pois no trafegar entre os entendimentos sexuais subjetivos, os indivíduos se posicionarão em semelhança com o outro, aniquilando as diferenças sexuais provavelmente existentes, e consequentemente o preconceito, já que os pares serão sexualmente idênticos.

O preconceito é, dentre outras questões, o repúdio prévio e discriminatório a determinado grupo de pessoas, em face de sua sexualidade, por exemplo. Se todos devem ser tratados sexualmente por um tipo padrão, contra-heteronormativo, fluido, como pode haver preconceito em face do homicídio descrito, já que o transexual seria apenas uma denominação, um nome-tipo do gênero fluido, com a mesma identificação sexual dos assassinos?

É ilógica a possibilidade de existir conclusões errôneas sobre conceitos prévios (sexualidade) em relação ao indivíduo que pode habitar, sexualmente, a mesma morada que todos os demais. Se mesmo assim o preconceito sexual existir, deve ser fundado em conceitos errôneos de um indivíduo para com o outro, em face de dessemelhanças sexuais notáveis, o que esvazia o discurso de gênero fluido, onde a sexualidade é entendida como uma superestrutura normativa una e rígida, incluindo todas as variações sexuais possíveis e imagináveis, cabendo a cada indivíduo se posicionar nas possibilidades sexuais existentes. Difere, por exemplo, do preconceito de raça, onde as características diferenciadoras de cada raça são facilmente identificáveis entre os seres humanos e, em regra, imutáveis.

Nota-se, por tudo o que foi escrito, que o ato de complicar e de tornar de difícil a compreensão das normas sociais mais simples é tarefa primeira do movimento ideológico de gênero, contribuindo para a total desestabilização e desregulação social, gerando o caos na sociedade que adota a ideologia de gênero como cânone da identidade individual de seus indivíduos.

Referências:

Brasil, 13 de julho de 2016.

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