O LATIM BOFFIANO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Leonardo Boff é daqueles comunistas que navegam em assuntos periféricos aos principais ditames comunistas, como religião e ecologia, mas que na primeira oportunidade recoloca estes temas direcionados ao viés político, ideológico, estreito à ordem mundial. Há obviedade gritante que os temas citados são importantes à agenda da esquerda mundial: o primeiro a ser destruído; o segundo a ser gerenciado segundo interesses escusos. 

Assim, trafegando nestes assuntos, Boff tangencia temas centrais da ideologia progressista, como a luta de classes, o fim do capitalismo, a igualdade social, o fim da propriedade privada, dentre outros. Entretanto, pratica a revolução cultural a seu modo, pincelando discretamente o ponto central dos ideais comunistas, como se verifica em recente artigo publicado no JORNAL DO BRASIL, intitulado "O Annus nefastus de 2015 não invalida a esperança de um annus propicius".
 
Para o leitor desavisado, o autor, já a partir do título, simula crítica feroz ao Governo petista ao afirmar que o ano de 2015 foi nefasto, embora afirme que o ano seguinte pode ser propício à melhora do cenário econômico. O ponto é: para o comuna, o ano de 2015 foi nefasto, ruim ao povo brasileiro. Mas nem tanto. Os ataques ao compadrio no poder cessam por aí, com a superficialidade da retórica dos esquerdistas que atacam a própria esquerda, desfazendo-se das peças de somenos importância, como o regime Cubano se desfez de Ernesto Guevara.
 
O autor, logo de início, confirma o que aqui se escreve: aborda o tema da ecologia como um dos grandes males do ano de 2015, afirmando que o mundo perdeu sua biocapacidade. Deixa de concluir, entretanto, que em se tratando do Governo em atividade, não se exauriu a homocapacidade de surrupiar o Estado e desviar dinheiro público para fins privado-partidários. Parafraseando o autor, citando o Sumo Pontífice: "tudo está ligado a tudo". Exatamente: o Eletrolão ao Petrolão; o Petrolão ao Mensalão e assim sucessivamente.
 
Continua o autor o teatro de absurdos ao afirmar (em parágrafo destoante do restante do texto) seu espanto com os atos de terrorismo, principalmente os ocorridos mais recentemente na Europa, bem como a morte de civis nos ataques ao Estado Islâmico (EI), segundo suas fontes "seguras". Esquece, canalhamente o autor, que os atos de terrorismo na Europa são consequência da islamização promovida naquele continente por mais de 40 anos, destruindo os principais alicerces democráticos daquele continente. Omite também o autor que muitos líderes socialistas da própria Europa são favoráveis à recepção indiscriminada de mulçumanos fugidos do EI, quando se sabe que muitos destes são agentes terroristas infiltrados. 

Omite também que a própria atual Chefe do Executivo Brasileiro cogitou, em ano recente, que os países em coalização dialogassem com os terroristas, enquanto civis eram degolados e queimados vivos por soldados do EI. Mas não, o autor apenas se refere à sua fonte "segura" que lhe informa sobre a morte de civis em face dos ataques ao EI, sem sequer tecer uma simples linha para analisar as centenas, milhares de vítimas do EI, seja na Europa, na África ou no Oriente Médio. Para este, estas vítimas fazem são parte da guerra, seres descartáveis, inerentes ao processo de expansão do califado. A ideia é não confrontar o EI, pois a destruição total do Ocidente é plano da agenda progressista, desde a Revolução Bolchevique de 1917.
 
Ainda no plano do paradoxo, falsifica o autor a realidade ao declarar a imensa quantidade de mortos nos EUA por policiais americanos, esquecendo, propositalmente, de trazer à baila os mais de 60.000 (sessenta mil) assassinatos ocorridos no ano de 2015 no Brasil, com sua população totalmente desarmada e prostrada perante os criminosos armados.
 
Mas o autor não poderia finalizar seu artigo sem retornar às suas origens ideológicas, sempre cravando as ideias de nós contra eles, da luta e ódio entre as classes. Afirma, cinicamente o autor que "surgiu entre nós uma onda de ódio, de raiva e de preconceito especialmente após a descoberta da corrupção milionária, ligada à Petrobrás, onda já presente depois das eleições presidenciais de 2014". É a torpe inversão de valores: para Boff, a corrução institucionalizada pela esquerda brasileira na Petrobrás é que é vítima do ódio dos brasileiros, que não coadunam com esses desmandos. Em outras palavras: a corrupção na Petrobrás é mártir do ódio de todo o povo brasileiro, este único e exclusivo vilão maior de se posicionar contra o maior esquema de corrupção do mundo. Vejam até que ponto chega a desonestidade boffiana.
 
Para piorar, Boff afirma que toda essa onda de revolta "trata-se de um comportamento brasileiro que se rege antes pelo coração que pela razão. Ora, do coração nasce a gentileza e a hospitalidade". Mas qual seria a reação do cidadão brasileiro ante a corrupção generalizada no país promovida pelo Partido dito dos Trabalhadores? A gentileza, a hospitalidade, a generosidade, a racionalidade? Confunde ainda mais o leitor, como costume da esquerda, ao juntar no mesmo pote o "ódio" do brasileiro e o preconceito contra negros e nordestinos: "a cordialidade negativa como ódio, preconceito e raiva contra militantes do PT, contra nordestinos e negros." 

Boff mimetiza o arquétipo do confucionismo progressista. Confunde e relativiza a realidade, ao constatar raiva e preconceito em ampla maioria dos brasileiros, que, ao contrário do afirmado pelo autor, se mobilizou em todas as regiões do país, seja no Norte, no Nordeste, no Centro Oeste, Sul. A grande maioria dos manifestantes vestiu camisa verde e amarela, representando as cores do país, sem distinção de região, cor, sexo, raça, religião. Era o Brasil contra os sequestradores do Brasil.
 
Mas caro leitor, seu espanto ainda pode ser maior. Vejam estas frases do autor:
 
"Nem as figuras constitucionalmente respeitáveis como a Presidenta Dilma Rousseff foi poupada."
 
"Tais expressões apenas revelam nosso atraso, a ausência de cultura democrática, a intolerância e a luta de classes. Não se pode negar que verificou-se em certos setores, raiva dos pobres e dos que ascenderam socialmente, graças às políticas sociais compensatórias (mas pouco emancipatórias) do governo do PT."
 
E por fim, o autor arremata com a frase: "Que Deus nos ouça".
 
Ante a frase, pedimos: não use o nome de Deus em vão!


Brasil, 06 de janeiro de 2016.

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