O PARTIDO-ESTADO E O BRASIL SURREAL


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

A intensidade, constância e volume dos fatos políticos dos últimos dois anos é desumanamente não-assimilável. Se formos listar as principais notícias desvendadas após o início da Operação Lava Jato, páginas e páginas serão necessárias para contemplá-las. Felizes os que estão acompanhando o desvendar destes episódios. Complexo será apreendê-los em  nossos futuros livros de História do Brasil. A quantidade de acontecimentos é tão brutal que concatenar os fatos demandará esforço de concentração e boa memória dos brasileiros.
 
Por diversas vezes já fomos questionados sobre a atual situação, sempre nos pedindo um resumo dos fatos, ante a impossibilidade de acompanhamento diário dos que nos questionaram. A tarefa de acompanhar e entender o conjunto dos fato torna-se mais inglória quando do total desconhecimento dos meandros jurídicos que permeiam os eventos. O ofício já é bastante árduo para os que conhecem, mesmo que superficialmente, as regras jurídicas. Por isto, as constantes dúvidas que corroem o imaginário do brasileiro. Desafiá-lo a entender todo o complicado emaranhado político-jurídico por vezes torna-se inglório. Quando se amplia a discussão para questões econômicas, sociais, humanas, o desafio torna-se ainda mais profundo.
 
Mas qual a principal origem desse período histórico tão conturbado? Destacamos, como principais, os silenciosos abusos e ilícitos cometidos durante os últimos 20 (vinte) anos em todas as esferas governamentais. Para os distantes dos elos do poder, este período da História do Brasil foi revestido de crescimento e estabilidade econômicos. Os malfeitos estavam sendo perpetrados, mas para a população em geral vivia-se a calmaria após uma boa colheita. No entanto, os delitos foram descobertos e em tão grande volume que vivenciamos hoje um esquizofrênico emaranhado social. Este embaraço confunde parcela da sociedade, mas também confunde e desnorteia a classe política que quer se manter no poder.
 
O desnorteamento do núcleo duro do Governo se apresenta sob diversos aspectos. Vai desde a confusão entre Estado-Partido à ausência perceptiva da realidade hodierna. Nesta desordem anárquica inseparável entre Partido e Estado, geram-se mais fatos aterrorizantes e inimagináveis. O último deles é a conjectura de nomeação do investigado Lula da Silva a Ministro de Estado, com a clara intenção de protegê-lo da persecução penal que lhe aproxima da prisão em cela comum. Além de ser um fato político lastimável, sendo ou não o Sr. Lula da Silva alçado a Ministro de Estado, o que se conclui desse fato é a comprovação (mais uma vez) que o Partido dos Trabalhadores assume-se superior ao Estado Brasileiro. De pouco importam os números acachapantes das manifestações de 13 de março de 2016. Para antes de pensar o Brasil, a esquerda brasileira rumina tão somente em como anarquizá-lo.

A aceitação do Sr. Lula ao cargo de Ministro de Estado demonstra, da mesma forma, seu suicídio político, além do derradeiro suspiro existencial do Partido que ele ajudou a fundar. Mas para além disto, representa o total escárnio ao povo brasileiro que, de um lado, deseja o fim deste Governo que, de outro, envereda todos os esforços para mantêm-lo vivo, mesmo que de forma claudicante. Ante o fato, o povo brasileiro retorna, mesmo que temporariamente, da revolta para o espanto. Embora já cogitada a possibilidade de se resguardarem algumas peças petistas sob o manto do foro privilegiado, surpreende-se a sociedade brasileira com tal possibilidade mais concreta.
 
Que funcionem ou não as instituições republicanas, a simples cogitação de elevar investigado criminal a status de Ministro de Estado demonstra o total descompromisso deste Governo para com o povo brasileiro. O que se dessume de tal acontecimento é que a intensidade e quantidade dos fatos não cessará tão brevemente, apenas talvez com a ruptura política que se avizinha.
 
O certo é que a população brasileira, mesmo exausta e repleta de tantas notícias degradantes, não pode descansar enquanto não expelir do mundo político ampla porção da esquerda brasileira. Não há outro meio viável para tornarmos à paz. A fadiga social do hoje será o descanso sereno do amanhã. Que os movimentos da sociedade que ocuparam as ruas neste dia 13 de março já se preparem para próximo encontro. Do mesmo modo que se abate a sociedade ante descomunal quantidade de crimes cometidos pela esquerda, abate-se a esquerda quando da apuração desses crimes. O inimigo está abatido, mas ainda não cerrou suas forças.
 
É chegada a hora de recuperarmos nosso país!

Brasil, 15 de março de 2016.

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