OLIMPTÍADAS 2016


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

B
eirou à quase unanimidade nas opiniões nas mídias sociais o relativo fracasso do show de abertura das Olimpíadas 2016. Chamamos assim (Olimpíadas 2016) ao centenário evento desportivo por ainda não saber distinguir se são as Olimpíadas NO Rio de Janeiro 2016 ou as Olimpíadas DO Rio de Janeiro 2016. Gramaticalmente a diferença é irrisória; simbolicamente é gigantesca. 

A cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016, caracteristicamente como um manifesto político de esquerda, pouco representou a nação brasileira por inteiro. Quase nada se viu da diversidade cultural brasileira afora o funk carioca, as escolas de samba cariocas, as favelas cariocas representadas em caixotes, os artistas cariocas aos montes, as praias cariocas. Um ou outro baiano de nascença foi inserido no contexto, embora baianos mais cariocas do que muitos cariocas. Dessa ínfima participação nordestina, quase nada se percebeu dos traços da Bahia na cantoria enfadonha dos dois. 

Mas os leitores podem se perguntar: as Olimpíadas não são NO Rio de Janeiro, donde se deve apresentar a cidade ao mundo? Sim, não há dúvida. Mas as Olimpíadas não são DO Rio de Janeiro; são de todo o Brasil. Devem representar todo o país! O Rio de Janeiro, apesar de ter um povo "descolado", não está descolado do resto do país.

A escolha da capital carioca como sede não lhe faz em sua grandeza maior do que um país continental. Outras cidades do Sul, do Sudeste e também do Nordeste ou do Norte poderiam ter sido a sede desta edição das Olimpíadas, mas questões políticas e desconhecidas impediram tal escolha. O mérito da sede carioca não se enfraquece por este motivo. 

A cidade é maravilhosa, sim! O que nos decepciona é um evento mundial findar em separar o restante do país de sua sede. Não bastassem as segregações perpetuadas pela esquerda nacional (brancos contra negros; ricos contra pobres; heterossexuais contra homossexuais; professores contra alunos; pais contra filhos) durante mais de duas décadas, o cerimonial esquerdista emendou a segregação de brasis, cariocas contra não-cariocas.

E por falar em segregação, onde está toda a diversidade sugerida pelos idealizadores da festa de abertura? A única diversidade que se enfatizou foi a sexual, com travestis, transgêneros e incitação à sexualidade infantil de uma MC, inocente desconhecedora da realidade que lhe envolve. O que se presenciou em abundância foi funk e samba, samba e funk. Uma passageira música popular brasileira: o tempo de um desfile na passarela do esquecimento. Até o desfile dos atletas na abertura das Olimpíadas inovou e desgraçou a volta olímpica tradicional. Maior fiasco da história das Olimpíadas.

Não houve qualquer diversidade cultural na abertura das Olimpíadas. Não houve referência à cultura dos gaúchos, do sertanejo nordestino, da rica cultura do norte e do centro-oeste. Não houve qualquer menção à riqueza cultural e histórica da imensidão brasileira, em sua arquitetura e patrimônio histórico, culinária, música, literatura. A literatura! Não houve qualquer menção aos grandes escritores brasileiros. Que maior cultura temos do que um emblemático Macunaíma? Onde estavam a representação dos nossos grandes Sertões: Veredas ou não, para não termos que ir adiante em tantos outros renomados escritores?

Do mesmo modo, não houve também qualquer diversidade política. Se os leitores mais atentos se surpreenderam com nossa vã tentativa de aproximar o esporte da literatura no parágrafo acima, não devem ter se surpreendido com o viés político dado à cerimônia de abertura. Mulher, negros, transgêneros, pobres. As minorias estavam todas representadas como espelho da eterna luta de classes comunista, tão alardeada pela esquerda nacional. O punho comunista cerrado em meio à favela representou o que de mais torpe houve em toda a organização da cerimônia de abertura: o uso de um evento nacional e suprapartidário para hastear sua bandeira ideológica. E que se viva a presença de um presidente não-comunista (pelo menos aparentemente!) no poder, senão a bandeira hasteada não teria as cores da nossa nação.

O palco do Maracanã serviu como pano de fundo para a ainda viva e presente luta ideológica da esquerda, na sua vertente ecológica. Não hesitaram seus idealizadores em promover a bandeira da esquerda, em todos os seus aspectos: revolução econômica, representada nas favelas; revolução sexual, representada nos transgêneros e na sexualização infantil; revolução ecológica e em seu alarde falacioso de uma iminente catástrofe ecológica mundial.

O temido receio dos organizadores de possíveis atos terroristas na cerimônia de abertura foi logo dissipado nos primeiros momentos. O maior terrorismo contra nossa nação estava ali, a olhos vistos: a ideológica cerimônia de abertura. Não adiantou a propagação da maior mentira televisiva dos últimos tempos, de que TODO o povo brasileiro (segundo alguns jornais) elogiava a cerimônia de abertura. Notícia das mais covardes! Quem acompanhou as mídias sociais percebeu a enxurrada de comentários desaprovando e criticando a vergonhosa cerimônia de abertura.

Mas nem tudo foi decepcionante. O voo do 14 BIS trouxe de volta a esperança de bons tempos. Não por que mostrou aos americanos que o primeiro voo do homem foi de um brasileiro. Longe disso! De que adianta termos feito o histórico voo de águia se nosso país hoje não plana por poucos metros sem uma queda ao solo? Os fogos de artifício também foram espetaculares. As projeções holográficas e simbólicas durante toda a cerimônia salvaram da vergonha completa o espetáculo assistido por aproximadamente 4 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Os jogos continuam e, em face de um evento que não ocorre todo ano, que cada brasileiro tenha a sua dose particular de Olimpíadas, mesmo que sejam as OlimPTíadas DO Rio 2016.

Brasil, 07 de agosto de 2016.