PARA ALÉM DA DIREITA


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

A estrutura e articulação políticas que a esquerda brasileira possui remonta a décadas de vagarosa, metódica e constante organização. Fruto dessa organização, atualmente a esquerda brasileira, em qualquer de suas linhagens ou vertentes, consegue manter um discurso final único, mesmo que com pequenas variações em sua intensidade. Como exemplo, algumas espécimes de esquerda propõem uma estatização completa dos meios de produção; para outras, uma estatização em menor amplitude. No conjunto, como visto, a estatização é pauta única, presente no discurso de toda a esquerda, variando apenas em amplitude.

Como outro exemplo do discurso único da esquerda temos temas como aborto, ideologia de gênero, gayzismo, homofobia, sexualização precoce de crianças, emancipação de mulheres, desestruturação da família. Para todos estes temas, sem exceção, a massa da esquerda brasileira é homogênea: devem ser implementados! Obviamente, há variação de amplitude e profundidade na implantação, mas a finalidade única no pensamento esquerdista é que estes temas devem ser enraizados na sociedade. É meta única da ideologia esquerdista, sem divergências maiores que impossibilitem sua concretização.

Dos dois exemplos acima apresentados se percebe o direcionamento único que é dado pela esquerda aos diversos temas elencados. Não há dúvida que para o projeto de poder da esquerda ser concretizado, algumas ideologias mais radicais deverão ceder em seus propósitos a vertentes menos radicais da esquerda, e vice-versa. No entanto, como desejo final, mesmo sob cessões temporárias de finalidades, o intuito final é preservado, pois a experiência demonstra que ceder para “perder” é manter íntegro projeto final de poder, onde toda a camada esquerdista resta vitoriosa na busca de seus fins.

Por outro lado, o que se passa atualmente na intitulada direita brasileira?


Primeiro, uma desorganização e desarticulação aparente generalizada, enfraquecendo seus quadros militantes perante seus apoiadores na base política. Da mesma forma, uma representação fragmentada, com alguns poucos expoentes desalinhados na grande parte dos objetivos finais da direita. A robusta divisão entre liberais e conservadores aprofunda este enfraquecimento, principalmente no campo econômico. Com uma forte base cristã, a direita mantém discurso reativo, característica mais peculiar de sua base que se sustenta sempre na verdade. Como a verdade está posta e é única, cabe à esquerda agressiva tentar refutá-la. A fim de refutá-la, exige-se organização e combate efetivo, enquanto a direita aguarda passivamente os ataques esquerdistas. Como afirmamos, alguns poucos expoentes com efêmera pujança política tentam arrefecer os ânimos esquerdistas, embora com sucesso mas sem vigor suficiente para desestabilizar as históricas bases comunistas.

Mas qual a causa primordial de tal ampla anulação política da direita no Brasil atual, refletindo em uma quase total composição de partidos de esquerda no cenário político (dos 35 partidos registrados no TSE, mais de 30 são de vertente esquerdistas)?

Entendemos que o enfraquecimento político da direita nacional perpassa por disputas internas (embora naturais) antes de um fortalecimento e ativo trabalho prévio dos temas em que as convicções conservadoras e liberais se entrelaçam. Como exemplo prático, temas como aborto, ideologia de gênero, gayzismo, homofobia, sexualização precoce de crianças, emancipação de mulheres, desestruturação da família são casos claros que a direita refuta com unanimidade, em sua origem. Há necessidade de um trabalho exclusivo e articulado, de toda a direita nacional, sobre os temas em questão. A conquista de território conjunta e mesmo que pequena, neste ponto, será triunfo da direita nacional para um perene esforço de atuação em outras áreas, como a econômica, sempre divergente entre liberais e conservadores.

A crise moral em que vivemos urge a aproximação definitiva entre conservadores e liberais em temas que lhes são próprios e convergentes, como os explicitados acima. Passo crucial para a retomada da direita em postos políticos de expressão nacional é o confronto maciço nesses temas com a esquerda adversária. Pensamos que pontos controversos, como a economia, podem ser relegados a segundo momento, pois a moral é base social de difícil e prolongada recuperação, mais complexa se em comparação com a recuperação econômica da nação.

A direita precisa se unir em projeto de poder, mas para isso, é necessário ceder a questões controversas, trabalhando-se por primeiro naquelas em que se entendem e concordam.

Brasil, 24 de abril de 2016.

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