POLÍTICA PARA HUMANOS


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Conversando recentemente com um brasileiro respeitável, pai de família, conservador e interessado pelos assuntos que vivenciamos na atualidade, este colocou-nos a dificuldade de se fazer política no atual cenário brasileiro. Constatamos, no entanto, que esta complexidade não é exclusiva da recente história da humanidade, mas talvez existente desde a antiga Grécia, depois que o termo foi difundido por Aristóteles (BOBBIO, p. 954). Chegou-se a esta simples conclusão pela obviedade: a política é feita por humanos e para humanos.

Diferente da Filosofia, cuja problemática, “nasceu e se desenvolveu como tentativa de apreender e explicar o todo, ou seja, a totalidade das coisas” (REALE, p. 2), a política “se refere à cidade, e, consequentemente, o que é urbano, civil, público” (BOBBIO, p. 954). Nota-se, como ciência, a limitação objetiva de atuação da política, que deve se desenvolver para tratar os problemas da cidade, do que é público. Mesmo limitada, os obstáculos são imensos, pelo simples motivo acima relatado: a política é feita para humanos.

Toda as circunstâncias que agravam a praticidade da política fundam-se na forma de se pensar esta ciência. Segundo Reale (p. 2) esta só tem relevância naquilo “que faz mudar as coisas: não a teoria, mas a práxis - diz-se - é o que conta”. Assim, se da política não se vislumbrar a mudança da realidade, o avanço social, o progresso do público, pouco se observa de útil para a humanidade. É praticamente impossível negar que da ciência política, da arte de se fazer política, é o mínimo que se espera: a práxis. A questão, no entanto, é que o fim máximo da política é o campo onde se observam mazelas deste pragmatismo, "caminhando" juntas: o utilitarismo e a corrupção.

Quando se observa a política apenas pelo ângulo da praticidade, os meios para se aperfeiçoá-la, por vezes, desnorteiam o fim primário almejado. Em outros termos, quando o propósito da política é, única e exclusivamente, a mudança da realidade, esta se altera do modo menos honesto, alterando os fins mais nobres e desencadeando a essência dos processos de corrupção, seja nos desvios de recursos públicos, nos fisiologismos, no tráfico de influência, e em diversos outros crimes proporcionados pela exaustiva necessidade de concretização da práxis política. Mas lembre-se: a práxis política é essencial à sociedade, desde que bem utilizada.

Voltando ao brasileiro do começo deste artigo, este nos confidenciou a decepção ao lidar com algumas questões políticas. Como brasileiro disposto à, através da política proporcionar o progresso público, o avanço social, a mudança da realidade, este foi extorquido a se corromper para continuar a promover o bem social. A extorsão revelou-se através da singela lógica: pagam-se valores, têm-se os votos, não se dificultam os trabalhos; não se criam dificuldades para se comprar facilidades. Situação não muito diversa de inúmeros acontecimentos ocorridos na recente história deste país. O brasileiro protagonista deste artigo, como se espera, não pagou os valores.

O que se conclui deste fato é que mudar a realidade através da política nem sempre é tão simples. Por mais que feita por humanos honestos, se desembocar em humanos desonestos, a práxis será do retrocesso social, da regressão do público, do aviltamento do civil.  

Mas é o que conta na política feita por humanos, para humanos?
 
Referências:
BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. 13. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2010.
REALE, Giovani. Pré-Socráticos e orfismo: história da filosofia grego e romana. v. 1. São Paulo: Edições Loyola, 2012.

Brasil, 10 de janeiro de 2016.

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