QUANDO O ESTADO É REFÉM DO ESTADO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

P
róximo à realização das inéditas Olimpíadas no Brasil, pouco se tem a comemorar. Não obstante o caos em diversas áreas sociais não só na cidade-sede dos Jogos, mas no restante do Brasil, a segurança pública aparece como câncer a corroer os tecidos sociais. O que impressiona, é que a doença foi implantada pelo próprio Estado, sem sua leniência amorfa e direcionada a dogma de que uma sociedade quanto mais insegura mais necessitará de um Estado intervencionista.

Sendo sede das principais provas dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro enfrenta uma grave crise na Segurança Pública, embora se saiba que o fato não é recente. Ciente desse cenário, Governos Federal e Estadual (RJ) farão uma intensa mobilização policial a fim de aumentar a sensação de segurança de atletas e público durante os Jogos. Era o mínimo que se esperava. 

O que não se esperava é que, uma das principais forças policiais brasileiras, a Força Nacional de Segurança, esteja de "mãos atadas" frente aos grupos criminosos que dominam as favelas do Rio de Janeiro. É de espantar que uma das mais bem equipadas e treinadas forças policiais do Brasil recebam ordens impeditivas de criminosos. O fato relatado foi noticiado nesta data, 14 de Julho de 2016.

Milicianos, definido como um grupo armado organizado e civil, impediu que a Força Nacional de Segurança implantasse sistema de internet em condomínio onde estão alojados. Afora os impeditivos tecnológicas, se é que existem, o fato noticiado demonstra a quase total submissão do Estado a um outro Estado paralelo, fortemente armado, nascido e fortalecido em face da omissão do próprio Estado Constituído em combatê-lo. As milícias ocuparam espaço social propiciado pelo próprio Estado, que jamais teve interesse em frear suas ações. Pelo contrário: talvez almejando uma anarquista bakuniana, o Estado relegou à sorte, ao tempo e aos criminosos a decisão de quem deve viver e quem deve morrer. Temos um Estado dentro de outro Estado.

Assusta, outrossim, perceber que o elo mais fragilizado de todo este cenário caótico é o cidadão brasileiro, independentemente de seu credo, raça, cor, sexo, religião. Todos, salvo raras exceções, colocam-se como vítimas do Estado, sem salvo-conduto. Cada brasileiro de bem, em sua luta contra este mesmo Estado Constituído (seja para se livrar dos impostos abusivos, seja para se livrar de sua morte violenta), põe-se como dócil vítima indefesa, sem qualquer meio de reação.

Se os soldados da Força Nacional fortemente armados e treinados são "obrigados" a aceitar as ordens de civis infratores da lei, o que se pensar de indivíduos desarmados, indefesos, servis de um Estado ausente, covarde, desarmamentista? Sustentar o discurso do "não reaja" é desejar a morte do Direito Natural, que em seus dogmas prescreve o inerente e constante estado de defesa individual, como meio de preservação da espécie, mesmo que em defesa contra ataques de espécimes de sua mesma espécie.

Ora caríssimos leitores. Choca-nos ler tal notícia, pois os desdobramentos significantes que absorvemos da leitura social do fato, profundamente nos posiciona no degrau da desesperança. Este degrau nos gera desconforto, notadamente, o que nos faz querer buscar uma saída ágil para a atual conjuntura. Mas qual a saída? A prece coletiva? A espera por uma consciência generalizada dos criminosos no mal social que praticam? O desfazimento natural do poder paralelo criminoso? O respeito máximo aos direitos humanos e naturais pelos criminosos, com a consequente abstenção das práticas delituosas?

A subjugação da Força Nacional em face do monopólio autoritário dos milicianos mostra que chegamos ao fundo do poço na questão da segurança pública. Poucos são os brasileiros que ainda não tiveram entre seus familiares ou parentes próximos exemplos de vítimas da insegurança pública generalizada. O Estado brasileiro demonstra, na atualidade, que não tem meios para propiciar a segurança pública coletiva, quiçá a individual.

Nesta constante fuga do caçador tirano, a sociedade brasileira vive o seu eterno momento de caça, sabedora da tragédia maior que se aproxima.

Até quando vamos esperar?

Referências:

Brasil, 15 de julho de 2016.

Siga-nos nas mídias sociais: http://facebook.com/criticapoliticabrasil
The gadget spec URL could not be found