WALDIR E DELCÍDIO: OS AVIÕES DO CRIME ORGANIZADO


Autor: CRÍTICA POLÍTICA BRASIL

Os mais recentes fatos ocorridos com Waldir Maranhão (PP/MA) e Delcídio do Amaral (Sem Partido/MS) refletem as estratégias utilizadas nas principais organizações que flertam com o crime: a atrapalhada e atordoada tentativa de Waldir Maranhão em reverter o já encaminhado e derradeiro processo de impeachment de Dilma Rousseff; a cassação do mandato do agora ex-Senador Delcídio, por ter agido ilicitamente a mando da cúpula da organização criminosa. 

 
 

Os dois, de modo semelhante e com base em suas articulações políticas, em maior ou menor amplitude, serviram como meros aviões do crime organizado. No linguajar das organizações que traficam drogas, organizações criminosas na legislação penal, avião é a pessoa que leva as drogas do morro à cidade e vice-versa. No mundo político, a droga é a informação privilegiada, a atitude aloprada, a ação política não recomendada. O avião, por outro lado, é aquele que, de posse de informação privilegiada, atrapalha investigação penal ou comete atitude desarrazoada, não recomendada. No mundo jurídico, o avião do tráfico de drogas é sempre um criminoso. Na política, o avião nem sempre será um criminoso. De certo, os dois (o avião do tráfico de drogas e o avião do tráfico político) sempre serão punidos, penal ou politicamente.

Waldir Maranhão, o avião de Lula, Dilma e José Eduardo Cardozo, foi achacado a emitir decisão solicitando a revogação do processo de impeachment de Dilma Roussef. Precipitada ou não, o aceite compulsório de Waldir para o cometimento de tal ato, sob mira de roleta russa política, selou seu caixão político, enterrando junto o que restava de credibilidade do PT, mesmo em sua própria base aliada. Como avião do tráfico político, Waldir não pensou em manter seu capital político, mesmo depois de seu voto na Câmara contra o impeachment de Dilma Roussef. Como avião do tráfico, Waldir anulou-se politicamente, de nada adiantando a grotesca tentativa de revogação da própria decisão. A serviço da organização criminosa, Waldir abateu-se sem perceber e cavou sua própria cova política.

Delcídio, o jato supersônico petista, com lastro capital político, ex-líder do Governo do PT no Senado, foi mais difícil de abater. Entretanto, não adiantou toda a força política do ex-Senador (cassado hoje, por 74 votos a favor) que, a mando da mesma organização criminosa, na tentativa de resguardar o nome do chefe, também sofreu a sanção mais drástica politicamente: perdeu seu mandato de Senador, que duraria até 2019. Mais uma vez a organização criminosa, após o avião ter sido detido pela polícia, desconversou e tratou de desconsiderá-lo como integrante da quadrilha, acusou-o de agir por contra própria, negou que o tivesse contratado. O mesmo modus operandi se realizou: abate-se o avião para manter intacta a esquadrilha, o exército da organização.

Assim como no tráfico de drogas, se o avião é descoberto pela polícia, é imediatamente descartado pelos líderes da organização criminosa. É necessário que os aviões apreendidos sejam devidamente abatidos, pois seu rastro de atuações pode levar à cúpula da organização. Tal qual lá, na organização criminosa que se instalou no poder político do executivo federal, os aviões devem ser abatidos politicamente, ou em outras esferas, caso necessário.

Celso Daniel, o “bimotor” abatido pela organização criminosa, não teve a mesma sorte do monomotor Waldir nem do boeing Delcídio.

O destino está selado.

Brasil, 10 de maio de 2016.

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